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Hamas confisca estátua de Apolo

Perdida há séculos, uma estátua do deus grego Apolo reapareceu misteriosamente na Faixa de Gaza, mas logo foi apreendida pela polícia e sumiu. A notícia aguçou a imaginação de arqueólogos do mundo todo, mas ninguém sabe se o bronze de tamanho natural poderá ser exibido.

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Reuters/O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2014 | 02h00

Joudat Ghrab, um pescador local de 26 anos, diz ter retirado a imagem de 500 quilos do fundo do mar em agosto. Ghrab conta ter visto uma forma humana deitada em águas pouco profundas, a cerca de 100 metros da praia. No começo, achou que fosse um corpo queimado, mas quando mergulhou, viu que era uma estátua.

Com a ajuda de parentes, ele levou quatro horas para levar o tesouro até a praia e arrastou o Apolo até sua casa em uma carroça puxada por um burro. Sua mãe "quase morreu de susto" ao ver o deus grego nu e exigiu que as partes íntimas fossem cobertas. Ghrab cortou um dos dedos e o levou a um especialista em metais, achando que poderia ser ouro. Sem que ele soubesse, um dos seus irmãos cortou outro dedo querendo pesquisar por conta própria.

Pouco depois, membros da família que pertencem a uma milícia do Hamas tomaram a estátua e, em seguida, ela apareceu à venda no eBay por US$ 500 mil. O problema era a mensagem abaixo, que dizia que o comprador deveria buscar o Apolo em Gaza, que está isolada por um bloqueio israelense.

Assim que a notícia se espalhou, autoridades do Hamas ordenaram o confisco do Apolo. Para a grande frustração dos arqueólogos, nenhum especialista analisou a imagem, que apareceu apenas em algumas fotografias mal feitas, enrolada em um cobertor dos Smurfs.

Para Jean-Michel de Tarragon, historiador da Escola Arqueológica de Jerusalém, a estátua foi fundida entre os séculos 5.º e 1.º a.C. "Ela é única e não tem preço. Seria como tentar estabelecer o preço da Monalisa, do Louvre", disse. Autoridades de Gaza disseram que a estátua não será mostrada ao público enquanto não for concluída uma investigação criminal para apurar quem tentou vendê-la. Museus do mundo inteiro já entraram em contato com funcionários do governo local para ajudar na restauração do Apolo.

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