Justin Sullivan/Getty Images/AFP
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Hillary e Sanders partem para o ataque e trocam farpas em debate acalorado em NY

Encontro entre os dois políticos, transmitido na noite de quinta-feira pela CNN, foi o mais duro desde o início da campanha; primária no no Estado será realizada na terça-feira

O Estado de S. Paulo

15 Abril 2016 | 11h24

NOVA YORK - Os pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Bernie Sanders, trocaram críticas e acusações no debate realizado na noite de quinta-feira, 14, o mais intenso e duro até agora na campanha que definirá o nome do partido na corrida pela Casa Branca.

O debate, televisionado pela emissora "CNN", foi o último antes das eleições primárias do Estado de Nova York, que acontecem na próxima terça-feira, e serão cruciais para definir as posições democratas e republicanas para as eleições de novembro.

Desde o início do debate, Hillary e Sanders decidiram atacar um ao outro, seguindo o tom de suas campanhas, cuja rivalidade se acirrou nos últimos dias em busca do apoio dos eleitores democratas de Nova York.

"Este debate foi diferente porque o lado de Hillary está ficando nervoso", afirmou Sanders em declarações posteriores ao fazer um balanço de sua participação e da ex-secretária de Estado nas duas horas de discussões sobre diferentes temas.

Hillary garantiu até agora o apoio de 1,776 delegados para a Convenção Nacional do Partido Democrata que escolherá o candidato presidencial do partido, frente aos 1,118 de Sanders. Para garantir a indicação, são necessários 2.383 delegados.

Os 291 que estão em jogo em Nova York representam o maior número em um único Eestado antes das primárias da Califórnia, que acontecem em 7 de junho e onde estarão em disputa outros 546 delegados, por isso as eleições internas de terça-feira são cruciais nesse processo.

No debate, Sanders e Hillary utilizaram argumentos já mencionados em outros discursos e comícios recentes, mas com um tom muito intenso, e com várias interrupções para aplausos e vaias dos que assistiam ao evento.

No choque entre os dois políticos, Hillary e Sanders elevaram o tom de voz em várias ocasiões, em temas como o aumento do salário mínimo e sobre como aumentar as receitas da Seguridade Social. Mas também surgiram assuntos da agenda internacional, como a posição dos Estados Unidos no conflito sírio e, especialmente, a visão que Hillary e Sanders têm em relação ao apoio a Israel frente aos ataques palestinos.

Sanders, filho de imigrantes judeus poloneses e firme defensor de Israel, qualificou como "desproporcionais" os ataques de Israel contra a Faixa de Gaza há quase dois anos que, como lembrou, causaram a morte de 1,5 mil palestinos e ferimentos em outros 10 mil.

"E quem diz isso é alguém que é 100% pró-Israel", insistiu o pré-candidato. "Deveríamos tratar os palestinos com respeito e dignidade", comentou Sanders, que soube atrair durante sua campanha as posições mais à esquerda do eleitorado americano.

Hillary, por sua vez, evitou responder diretamente quando foi perguntada se também pensava que a reação israelense tinha sido desproporcional, e lembrou que Israel é um país "que está sob constante ameaça terrorista". "Isso não significa que precauções não devem ser tomadas" durante a resposta militar a esses ataques palestinos, disse a ex-secretária de Estado.

Os dois pré-candidatos também lembraram suas respectivas votações no Senado, Hillary representando Nova York e Sanders o Estado de Vermont, em temas como o apoio à Guerra do Iraque e as restrições ao comércio de armas para particulares.

Sanders defendeu a "revolução política" que vem promovendo, disse que é preciso "ter guelras" para adotar posições radicais, e acusou Hillary de receber apoio das grandes corporações e do mundo financeiro de Wall Street.

Em uma das trocas de acusações, Sanders exigiu que Hillary revelasse a transcrição de um discurso privado que ofereceu a diretores do grupo financeiro Goldman Sachs para saber quais foram as promessas que fez.

Em resposta, Hillary disse que o faria quando Sanders divulgasse suas declarações de impostos de anos passados, algo que o senador por Vermont afirmou que não tinha feito ainda por falta de tempo, mas prometeu cumprir com esse passo nesta sexta-feira.

Sanders acusou Hillary de falhar em seus "julgamentos" devido ao apoio que deu para a Guerra do Iraque, ao apoio a acordos comerciais aos que ele se opõe e aos "milhões de dólares" que ele afirma que ela recebeu das companhias financeiras de Wall Street.

Esses argumentos foram os mesmos que Sanders utilizou para criticar Hillary durante um comício recente, quando afirmou que a ex-secretária de Estado não estava "qualificada" para ser presidente dos EUA, uma frase que corrigiu posteriormente e que ainda tenta apagar.

"Já me chamaram de muitas coisas na minha vida, mas esta é a primeira vez que me chamam assim", disse Hillary ao se referir à suposta falta de "qualificação" que lhe foi atribuída por Sanders naquele comício, um tema que foi abordado neste debate.

Com o evento de quinta, Hillary e Sanders tentaram ampliar seus respectivos apoios, levando em conta que o senador ganhou em sete das últimas oito prévias eleitorais em diferentes Estados, mas a ex-primeira dama segue liderando na contagem de delegados. 

Ao fim do debate de duas horas, a empresa de análise de mídias sociais Brandwatch relatou que Sanders recebeu mais de 173 mil menções no Twitter, sendo 55% delas positivas, enquanto Hillary recebeu mais de 191 mil menções, sendo 54% negativas. As menções a Hillary foram mais negativas do que positivas em dois dos três debates anteriores.

Sanders, de 74 anos, fará uma pequena pausa na campanha nesta sexta-feira para viajar ao Vaticano, onde fará um pequeno discurso em uma conferência sobre economia mundial e justiça social. Sanders, que irá voltar a Nova York para campanha no domingo, disse que a viagem não é um apelo político para eleitores católicos, mas uma mostra de admiração ao papa Francisco. / EFE e REUTERS

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