REUTERS/Carlo Allegri e JustinSullivan/AFP
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Hillary e Trump esperam retomar em Nova York o favoritismo em seus partidos

Os pré-candidatos democrata e republicano sofreram série de derrotas para os rivais em outros Estados

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / Nova York, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2016 | 05h00

Se as pesquisas eleitorais se confirmarem, Hillary Clinton e Donald Trump devem retomar o favoritismo em seus partidos com as prévias de Nova York, marcadas para terça-feira, depois de uma série de derrotas em outros Estados. O bilionário lidera com vantagem a disputa do Partido Republicano e poderá registrar em casa o seu primeiro resultado superior a 50% dos votos. 

A ex-secretária de Estado está 14 pontos porcentuais à frente de seu adversário Bernie Sanders, segundo média das pesquisas calculada pelo site Real Clear Politics. O senador por Vermont ganhou sete das últimas oito disputas pela nomeação democrata, mas está em desvantagem no quarto Estado mais populoso.

A vitória em Nova York será crucial para definir a narrativa das disputas que ocorrerão até as convenções partidárias, em julho. Se perder em Nova York, Sanders terá dificuldades para sustentar a imagem de uma alternativa viável a Hillary.

O principal adversário de Trump é o senador texano Ted Cruz, um superconservador que passou parte de sua campanha atacando os “valores de Nova York”, consubstanciados em uma série de posições mais liberais que a média do país. Na terça-feira, os eleitores do Estado deverão rejeitar os comentários depreciativos com seus votos. Cruz aparece em último lugar na média das pesquisas de Nova York, atrás de Trump e de John Kasich, governador de Ohio. 

Mas o fato de que Nova York não vê uma primária realmente competitiva há quase três década adiciona um elemento de imprevisibilidade à disputa, avalia Kenneth Sherrill, professor emérito de Ciência Política do Hunter College.

Segundo ele, a última vez em que os democratas se enfrentaram de maneira genuína em Nova York foi em 1988. O mais recente embate entre os republicanos está apagado de sua memória. “Faz tempo que Nova York não tem primárias que importam”, disse ao Estado.

Mais de 30 dos 50 Estados americanos já se manifestaram nas prévias. Em geral, os nomes dos vitoriosos de cada partido são definidos antes que a disputa chegue a Nova York.

A consequência da ausência de competição é uma das mais baixas taxas de participação de eleitores nas primárias em todo o país. Em 2008, apenas 1,4% dos registrados como republicanos foi às urnas para definir o candidato de seu partido à presidência. Para Sherrill, o aquecimento da competição deverá aumentar a taxa de participação nos dois partidos.

A nova-iorquina Elena Hanson, de 53 anos, é uma independente que se registrou como democrata para votar em Sanders na terça-feira. “Ele é o primeiro político que expressou o que sinto. Ele me faz chorar e me dá esperança”, disse Hanson durante comício de Sanders em Manhattan. A seu lado, a roteirista Keely Schafer, de 23 anos, celebrava seu primeiro voto em uma eleição presidencial. “Tudo o que ele diz faz sentido para mim e me pergunto por que ninguém nunca disse isso antes.”

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