AP Photo/Sergei Chuzavkov
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Holandeses dizem ‘não’ à aproximação entre UE e Ucrânia

Voto em referendo, promovido por setores eurocéticos, lança ainda mais sombras sobre futuro do bloco

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S. Paulo

07 Abril 2016 | 19h04

A população da Holanda rejeitou em referendo o tratado que previa a associação da Ucrânia à União Europeia, colocando não apenas dúvidas no processo de aproximação política e econômica do país em relação ao bloco, mas também quanto à estabilidade da UE.

O resultado indicou que 61,1% dos holandeses são contrários ao acordo, visto por analistas como o primeiro passo para a adesão da Ucrânia à comunidade europeia. 

O veredicto foi claro: mesmo que a participação tenha sido baixa – 32% dos holandeses votaram – e a consulta popular tenha sido organizada por movimentos eurocéticos, quase dois terços do eleitorado recusou a aproximação entre Ucrânia e UE.

O acordo de associação foi o estopim da revolta popular que resultou na queda do ex-presidente ucraniano Viktor Yanukovich e, mais tarde, na guerra na região de Donbass, no leste do país, contra separatistas pró-Rússia, apoiados por forças enviadas pelo Kremlin. 

Na prática, o acordo de associação é uma etapa preliminar da adesão da Ucrânia à UE – ainda que os líderes políticos do bloco neguem essa intenção, para não confrontar a Rússia de Vladimir Putin. O acordo prevê políticas de convergência econômica e de legislação. As etapas são necessárias para receber recursos do Banco Europeu de Investimentos e para a supressão de vistos, por exemplo.

O referendo tem caráter consultivo e não impede a homologação pelo governo holandês – todos os demais 27 países-membros já aprovaram a associação. 

A situação é paradoxal, pois o primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, exerce a presidência rotativa da União Europeia, e será constrangido a pressionar o Parlamento de seu país a aprovar a aproximação com a Ucrânia, mesmo com o voto contrário. 

Nesta quinta-feira, 7,, o ministro holandês de Finanças, Jeroen Dijsselbloem, descartou a possibilidade de um bloqueio político da relação entre Bruxelas e Kiev em razão da consulta.

“É um referendo consultivo, então a única coisa que a lei exige é que nós reconsideremos o tema”, ponderou.

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