AFP PHOTO / Thomas SAMSON
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EI assume ataque que matou 1 em Paris

Agressor foi morto a tiros por policiais; Ministério Público Antiterrorismo da capital francesa anunciou a abertura de uma investigação

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2018 | 17h31
Atualizado 13 Maio 2018 | 02h45

PARIS - Duas pessoas morreram, incluindo o agressor, após um ataque à faca na noite deste sábado, 12, no centro de Paris, na França. O crime ocorreu por volta das 20h50 (15h50 em Brasília), no bairro de Ópera, no 2.º Distrito da capital, um dos mais visitados por turistas estrangeiros.

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Segundo informações do Ministério do Interior, quatro pessoas ficaram feridas na agressão, sendo duas em estado grave. No início da madrugada, a autoria da ação foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), ao mesmo tempo em que o Ministério Público Antiterrorismo da capital francesa anunciou a abertura de uma investigação.

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O bairro de Ópera, onde se situa a Rua Monsigny, foi isolado pela polícia para a investigação do crime e busca por eventuais cúmplices depois que o autor do ataque foi morto com dois tiros disparados por um policial. A Chefia de Polícia de Paris confirmou que uma operação está em curso.

"Agressão no 2.º Distrito de Paris por um indivíduo armado com faca. Agressor dominado pelos serviços de polícia", informou o serviço de alerta em sua conta no Twitter. Ainda conforme o comando policial, cinco pessoas foram atacadas, sendo que uma morreu, duas ficaram feridas com gravidade e duas levemente.

A região de Ópera é uma das mais movimentadas à noite em Paris, em especial nos fins de semana, pela alta concentração de restaurantes. Uma testemunha que preferiu não se identificar chegou a ouvir os pedidos de socorro e relatou os momentos de pânico que viveu. "Alguém corria diante de nós gritando por socorro. Um outro homem o perseguia de maneira determinada e rápida. Muitas pessoas correram para o interior de um restaurante", contou.

"Nós fomos para debaixo das mesas. Pensamos que (o agressor) tinha apenas um bastão. Mas logo houve um segundo movimento de multidão e então realmente entramos em pânico." Em vários estabelecimentos os clientes foram obrigados a permanecer quase três horas no interior em função do trabalho da polícia.

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A prudência inicial cedeu espaço no início da madrugada quando o procurador do Ministério Público Antiterrorismo, François Molins, anunciou a abertura de uma investigação por "assassinato, tentativa de assassinato de pessoa depositária de autoridade pública em vínculo com iniciativa terrorista", depois que testemunhas afirmaram ter ouvido o agressor gritar "Allahu Akbar" ("Deus é grande", em árabe) no momento do ataque.

O presidente francês, Emmanuel Macron, agradeceu a intervenção da polícia, que neutralizou o agressor, e prestou solidariedade às famílias das vítimas. "A França paga mais uma vez o preço com sangue, mas não cederá um milímetro aos inimigos da liberdade", afirmou ele em sua conta no Twitter.

O ministro do Interior, Gérard Collomb, referiu-se ao acontecimento como uma "agressão", sem se referir por ora a um eventual atentado terrorista. "Eu saúdo o sangue frio e a reatividade das forças policiais, que neutralizaram o agressor", afirmou ele na mesma rede social. "Meus primeiros pensamentos vão para as vítimas desse ato odioso."

O modus operandi do agressor também lembra atentados já perpetrados na França e em outros países da Europa em nome do Estado Islâmico, mas ainda não há nenhuma confirmação de vínculos concretos entre o autor da ação e o grupo jihadista. Até o início da madrugada, a identidade do agressor ainda era desconhecida, mas testemunhas o descreveram como um homem jovem, de cabelos escuros e pele morena. De acordo com a informação de uma fonte judicial, também foi descoberto que o terrorista era nascido em 1997, na Chechênia, e seus pais estão detidos para interrogatório da polícia francesa.

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