Henry Romero/Reuters
Henry Romero/Reuters

Candidato opositor em Honduras não reconhece resultado de eleição

Oposição denuncia fraude após presidente encerrar contagem 1,5 ponto porcentual acima de candidato esquerdista

O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2017 | 12h41
Atualizado 04 Dezembro 2017 | 18h36

TEGUCIGALPA -  O Tribunal Supremo Eleitoral de Honduras concluiu na madrugada desta segunda-feira, 4,  a contagem dos votos da eleição presidencial de 26 de novembro, com a vantagem do presidente Juan Orlando Hernández, mas ainda sem proclamar oficialmente o vencedor da votação.  O candidato opositor das eleições de Honduras, Salvador Nasralla, não reconheceu os resultado e pediu uma recontagem por uma suposta "fraude" no processo. 

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O apresentador de televisão e candidato da esquerdista Aliança de Oposição Contra a Ditadura disse à AFP que não poderá "aceitar nunca" os resultados  porque "não são oficiais nem definitivos", e pediu para que sejam revisadas 5.173 atas nas quais garante que houve "fraude".

Segundo a Justiça eleitoral, Hernández conta com 42,98% dos votos, e Nasralla, 41,39%. Matamoros indicou que faltam apenas incluir poucas urnas no sistema de contagem. Hernández, um político de direita de 49 anos, que disputou o pleito graças a uma polêmica decisão judicial que permitiu sua candidatura à reeleição, o que é proibido pela Constituição.

A possibilidade de um novo mandato de Hernández provocou a fúria dos simpatizantes de Nasralla. Os seguidores do candidato de esquerda entraram em confronto com policiais e militares, em distúrbios que resultaram na morte de uma mulher. 

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Matamoros explicou que a declaração oficial pode demorar 22 dias porque, após a apuração dos votos, acontece uma fase de impugnações que deve seer cumprida, de acordo com a lei. "Fazemos um apelo a todos os candidatos e a todos os partidos de que Honduras vem em primeiro lugar", afirmou Matamoros ao pedir calma em um momento de tensão no país, que já registrou cenas de vandalismo e saques. 

Matamoros, no entanto, afirmou nesta segunda-feira que nenhum partido ou candidato apresentou atas com resultados diferentes aos que foram divulgados pelo tribunal.

Os atos de violência levaram o governo a declarar na sexta-feira estado de sítio, com um toque de recolher noturno, que foi burlado em vários bairros com panelaços de moradores. / AFP

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