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Série de bombardeios contra hospitais deixa ao menos 50 mortos na Síria

Autoria dos ataques aéreos não foi confirmada por nenhuma das partes envolvidas no conflito; um dos alvos foi uma instalação apoiada pelo Médicos Sem Fronteiras

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Andrei Netto, CORRESPONDENTE / PARIS,
O Estado de S. Paulo

15 Fevereiro 2016 | 10h19

Pelo menos 50 pessoas morreram nesta segunda-feira em quatro bombardeios a hospitais no norte da Síria, região sob controle de grupos rebeldes apoiados pelo Ocidente, mas bombardeados pelas forças de Bashar Assad e da Rússia. Segundo a ONU, os ataques incluíram centros de atendimentos de crianças e maternidades. Duas unidades são apoiadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e uma pela Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O primeiro dos ataques foi lançado contra as instalações da ONG francesa MSF em Marat Al-Nouman, na Província de Idlib, deixando pelo menos sete mortos e oito desaparecidos. O ataque foi confirmado pela MSF, que tem uma base em Gazientep, na Turquia, junto à fronteira da Síria, de onde gerencia as atividades no país vizinho.

Segundo a organização, foram dois ataques, com intervalo de poucos minutos. Quatro foguetes atingiram o prédio, que aparece destruído em fotografias divulgadas. Uma escola vizinha que abrigava refugiados da região de Alepo, cidade sob ofensiva do regime Assad, também teria sido atingida. Ao Estado a entidade confirmou haver sete mortos, além de oito desaparecidos que “ao que tudo indica, também (estão) mortos”. 

Segundo a Reuters, um outro hospital, situado em Azaz, a 5 quilômetros da fronteira, também foi atingido por disparos ontem, deixando 14 mortos.

Além das duas unidades, os ataques aos dois hospitais do Unicef levaram a ONU a se manifestar em Nova York sobre os bombardeios. “Deixando de lado a diplomacia e as obrigações do direito humanitário internacional, deixe-me lembrar que essas vítimas são crianças”, protestou o diretor executivo do Unicef, Anthony Lake.

Segundo o porta-voz da ONU, Farhan Haq, o balanço dos ataques indica que pelo menos 50 pessoas morreram.

Para Mego Terzian, presidente da MSF França, os ataques são deliberados. “Infelizmente, não é o primeiro ataque do gênero no norte da Síria”, advertiu, referindo-se ao bombardeio de Marat Al-Nouman. Dos hospitais da MSF, diz Terzian, cinco já foram alvo de disparos apenas este ano. Há dois dias, três pessoas morreram em uma unidade de saúde situada em Tafas, no sul do país.

Segundo a União das Organizações de Socorro e Cuidados Médicos, um total de 13 centros de saúde e hospitais de diversas ONGs foram atingidos este ano. “Desde o início dos bombardeios russos há quatro meses, 29 hospitais foram destruídos e 20 membros de equipes médicas foram mortos”, acusou Ubaida Al-Mufti, presidente da entidade.

Os hospitais de Marat Al-Nouman, em Idlib, e Azaz, na Província de Alepo, situam-se em uma região sob o controle de grupos rebeldes moderados aliados do Ocidente que tem sido alvo de bombardeios da aviação russa. Por essa razão, o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), ONG com sede em Londres que monitora o conflito sírio, afirmou que pelo menos o ataque de Marat Al-Nouman teria sido cometido “provavelmente pela aviação da Rússia”.

Mas, até a noite de ontem, nenhum grupo ou exército havia assumido a autoria dos ataques. O caos militar na Síria torna complexa a tarefa de identificar os responsáveis. Além da força aérea russa, da Síria e da coalizão ocidental que combate o Estado Islâmico, agora, o Exército da Turquia realiza uma ofensiva militar perto da fronteira.

A guerra na Síria vive dias de elevada tensão, apesar do acordo obtido na semana passada em Munique pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Serguei Lavrov. A Rússia não interrompeu os ataques e o Departamento de Estado americano afirmou que os bombardeios colocam em dúvida “a vontade ou a capacidade” da Rússia de controlar a brutalidade da ofensiva militar.

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