Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP
Zoltan Gergely Kelemen/MTI via AP

Hungria inicia construção de nova cerca na fronteira com Sérvia para barrar refugiados

Estrutura custará mais de 120 milhões de euros e será equipada com câmeras de vigilância e termográficas, além de sensores que ativam um alarme quando ela é tocada

O Estado de S.Paulo

27 Fevereiro 2017 | 12h51

BUDAPESTE - A Hungria já começou a construção de uma nova cerca na fronteira com a Sérvia para impedir a entrada de refugiados, um projeto que custará 123 milhões de euros, anunciaram nesta segunda-feira, 27, fontes do governo húngaro.

"Este sistema reduz para quase zero o número de cruzamentos ilegais da fronteira" explicou György Bakondi, assessor de Segurança do primeiro-ministro Viktor Orbán, em uma entrevista ao jornal Magyarhirlap.

Esta segunda cerca, planejada a princípio para ser instalada apenas na fronteira com a Sérvia, será equipada com câmeras de vigilância e termográficas, e terá, a cada 15 centímetros, sensores que ativam um alarme quando a barreira é tocada.

O custo inclui a ampliação dos centros de internamento onde o governo planeja colocar as pessoas que entrarem no país durante todo o tempo que durar a tramitação de seus pedidos de asilo.

O Parlamento húngaro está debatendo uma emenda legal proposta pelo governo para poder manter os refugiados sob custódia enquanto aguardam uma resposta sobre sua solicitação.

Tanto a Human Rights Watch (HRW) como o Comitê de Helsinque, em favor dos direitos humanos, pediram à Comissão Europeia que intervenha para evitar essa mudança na legislação. "A Comissão Europeia não deveria ficar à margem enquanto a Hungria viola o direito à solicitação de asilo", disse em comunicado Benjamin Ward, subdiretor da divisão da Europa e da Ásia Central da HRW.

São várias as ONG que denunciaram o tratamento "desumano" que os refugiados recebem na fronteira entre Hungria e Sérvia.

A Hungria instalou em 2015 um sistema de cercas e alambrados para deter o fluxo de refugiados, em um momento no qual milhares de pessoas que fugiam da guerra e da miséria cruzavam seu território a caminho de países mais ricos, como Alemanha e Suécia.

Orbán é um dos chefes de governo da União Europeia que mais duramente se opõem à imigração e chegou a vincular os refugiados ao terrorismo. / EFE

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