Identidade de detidos por atentados nos EUA é desconhecida

Mais de mil pessoas estão detidas ou presas nos EUA por vínculos com os atentados terroristas de 11 de setembro sem que se saiba, na grande maioria dos casos, qual a sua identidade ou seu paradeiro. A situação preocupa as principais organizações de direitos humanos nos EUA, entre elas a Anistia Internacional, a Human Rights Watch e a American Civil Liberties Union (ACLU), que apresentaram ao Departamento (ministério) da Justiça uma demanda baseada na lei de liberdade de informação para que seja divulgada a identidade dos detidos. Um dos diretores da ACLU, Gregory Nojeim, disse que os membros da organização estão "profundamente desiludidos" com a negativa do governo em responder. As irregularidades nas detenções foram criticadas hoje pela imprensa norte-americana. O New York Times disse que "as detenções ficaram envoltas na confusão e no segredo" e que o Departamento de Justiça "se recusou, em muitos casos, a fornecer nomes e detalhes" das ações judiciais. Uma porta-voz do Departamento de Justiça, Mundy Tucker, afirmou que todos os detidos tiveram acesso a um advogado, enquanto várias organizações de direitos civis reclamaram dias atrás ao secretário da Justiça, John Ashcroft, pela situação de vários dos detidos, que não puderam entrar em contato com as famílias nem com representantes legais. "Não vivemos num país onde o governo possa manter em segredo o nome das pessoas que prende, seu paradeiro ou as acusações feitas contra elas", criticou o Centro de Estudos de Segurança Nacional. Para a organização, "a detenção secreta de mais de 800 pessoas nas últimas semanas é uma prática que lembra, de modo inquietante, o ´desaparecimento´ de pessoas na América Latina" durante as ditaduras dos anos 70 e 80 na região. Leia o especial

Agencia Estado,

30 Outubro 2001 | 20h26

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