AFP PHOTO / Isabel INFANTES
AFP PHOTO / Isabel INFANTES

Imã revela que evitou linchamento do responsável pelo atropelamento de fiéis em Londres

Mohammed Mahmoud, líder do Centro de Bem-Estar para Muçulmanos, afirmou que três pessoas imobilizaram o agressor, que era branco e estava desarmado

O Estado de S.Paulo

19 Junho 2017 | 12h38

LONDRES - O imã Mohammed Mahmoud, responsável pela mesquita de Finsbury Park, em Londres explicou nesta segunda-feira, 19, que ele e um grupo de fiéis evitaram que a multidão linchasse o homem que atropelou algumas pessoas que deixavam o templo durante a madrugada. O ataque terminou com um morto e dez feridos.

"Havia uma multidão que estava tentando linchá-lo e ele poderia ter ficado gravemente ferido, por isso afastamos as pessoas", disse o Mahmoud, que havia dirigido as orações noturnas minutos antes.

O líder do Centro de Bem-Estar para Muçulmanos, onde fica a mesquita, relatou aos veículos de imprensa locais que as pessoas que presenciaram o atropelamento pararam uma viatura de polícia que passava pela região para que o autor do atentado fosse detido, depois de ter sido imobilizado no chão por outras três pessoas.

Ao ser questionado sobre a aparência do agressor, o líder religioso disse que ele "era branco", mas que "não poderia dizer de onde era" e acrescentou que estava desarmado.

Sobre o homem que morreu após o atropelamento, o imã especificou que ele havia perdido a consciência pouco antes e que várias pessoas estavam tentando socorrê-lo.

Quando o veículo avançou contra os fiéis, o homem teria recuperado a consciência, segundo Mahmoud, que não quis confirmar se a morte foi uma consequência direta do ataque. "A análise forense deverá dizer como ele morreu", enfatizou o imã.

"A comunidade de Finsbury Park é um grupo de pessoas muito tranquilas, que não são conhecidas pela violência. As nossas mesquitas são incrivelmente pacíficas e posso afirmar que vamos fazer o que estiver em nossas mãos para acalmar qualquer tensão", ressaltou Mahmoud.

O líder religioso condenou o "trágico e bárbaro" ataque e reprovou o atentado ocorrido no dia 3 de junho, no qual três homens atropelaram um grupo de pedestres na Ponte de Londres e esfaquearam outras pessoas no Mercado Borough, o que resultou na morte de oito pessoas.

"O ataque na Ponte de Londres foi obviamente um ataque terrorista, que também condenamos. Esperamos apenas que, nestes tempos trágicos, as pessoas possam ficar unidas", comentou o imã.

Para ele, a ação contra os fiéis da mesquita de Finsbury Park "é talvez uma prova da demonização que vem sendo feita da comunidade muçulmana". "Aqueles que querem dividir este país e esta grande cidade tiveram sucesso de alguma forma, pois influenciaram os mais vulneráveis e impressionáveis a pensarem que nós (os muçulmanos) somos bárbaros, que gostamos de derramar sangue e que devemos ser eliminados e exterminados", concluiu Mahmoud. / EFE

Mais conteúdo sobre:
Reino Unido Terrorismo Londres muçulmano

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.