REUTERS/Norma Connolly-CayCompass
REUTERS/Norma Connolly-CayCompass

Imigração ilegal de cubanos cai nos Estados Unidos

Fim da política de ‘pés secos, pés molhados’, que beneficiava os imigrantres da ilha que conseguiam pisar em solo americano, diminui número de clandestinos de Cuba interceptados ao entrar em território americano

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 20h52

A imigração ilegal de cidadãos de Cuba nos Estados Unidos diminuiu “significativamente” após a política de “pés secos, pés molhados” – que beneficiava os imigrantes da ilha que conseguiam pisar em solo americano – ter sido suspensa. Segundo o Departamento de Estado, o número de interceptações de cubanos nos portos de entrada baixou 64% de janeiro a dezembro. 

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De acordo com informações da diplomacia americana, as detenções de imigrantes cubanos interceptados no mar diminuíram 71% este ano. A queda é atribuída à implementação dos acordos migratórios americanos e cubanos assinados em 12 de janeiro, no marco da normalização das relações bilaterais iniciada em 2015, entre os presidentes Barack Obama, dos EUA, e Raúl Castro, de Cuba. 

A nova regulamentação eliminou a política de “pés secos, pés molhados”, vigente desde 1995 nos EUA, segundo a qual imigrantes cubanos que chegavam ilegalmente ao território americano se beneficiavam. Bastava que os ilegais colocassem os pés nos EUA para ganharem um visto de permanência – os que eram interceptados no mar, como os milhares de balseiros que se arriscaram a cruzar o Estreito da Flórida em precárias embarcações, eram devolvidos a Cuba. 

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Quebra. O Departamento de Estado americano – que divulgou os dados na terça-feira, dia 12, após a conclusão da 31.ª conferência bilateral sobre imigração, em Washington – informou que cumpriu com sua meta anual de emitir pelo menos 20 mil autorizações de residência a imigrantes cubanos este ano.

Cuba declarou na reunião bilateral que a decisão do governo do presidente Donald Trump de suspender a emissão de vistos na Embaixada dos EUA em Havana está “prejudicando seriamente” as relações familiares e outros tipos de intercâmbios pessoais. 

No fim de setembro, após suspeitas de que diplomatas americanos foram alvo de “ataques sônicos” que prejudicaram sua saúde, apenas uma equipe enxuta de funcionários de Washington foi mantida na ilha, o que resultou na suspensão de praticamente todo o processamento de vistos pela representação dos EUA em Havana.

“A delegação cubana expressou também profunda preocupação com relação ao impacto negativo que as decisões unilaterais, infundadas e politicamente motivadas adotadas pelo governo americano têm nas relações migratórias entre os dois países.” 

O chancelaria de Cuba estima que mais de 100 mil cubanos foram prejudicados pela suspensão. Desde que assumiu a presidência, Trump tem promovido um retrocesso nas relações entre Washington e Havana, que tinham sido retomadas no governo de Obama. Cuba tem uma população de 11,2 milhões de habitantes, mas outros 2 milhões de cubanos vivem nos EUA. / AFP e REUTERS

 

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