Brian Snyder/REUTERS
Brian Snyder/REUTERS

Impasse sobre fim de sanções ameaça acordo nuclear com o Irã

Prazo para fim de negociações termina nesta terça-feira, 31, mas diplomatas admitem que elas podem ser prorrogadas por três meses

Jamil Chade , ENVIADO ESPECIAL / LAUSANNE

30 Março 2015 | 19h48

 

LAUSANNE - A falta de um entendimento sobre o levantamento das sanções da comunidade internacional contra o Irã, a duração do acordo nuclear e o destino do urânio iraniano travaram  a negociação entre as potências mundiais e o governo de Teerã. Termina na terça-feira, 31 o prazo para o estabelecimento de um acordo. Mas, sem solução para pontos delicados, os negociadores não descartavam a possibilidade de fechar um acordo parcial. 

Na segunda-feira, a Casa Branca alertou que as chances de um sucesso eram de apenas 50%. Os governos de EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França, Alemanha e Irã têm até o fim do dia de hoje para anunciar o tratado definitivo, que poria fim à crise nuclear que já dura 12 anos e daria um novo enfoque às relações entre o Ocidente e o Irã. 

Nos três próximos meses seriam desenhados dezenas de anexos de caráter técnico. O processo conclui 18 meses de intensas negociações e o objetivo é criar um mecanismo que impeça o Irã de ter acesso a uma bomba nuclear. 

No entanto, diplomatas de ambos os lados declaram abertamente que o acordo não é apenas sobre energia nuclear, mas sim sobre a posição do Irã no mundo a partir de agora e sua relação com Washington. “Esse será um acordo que redefinirá parte da geopolítica mundial. O mínimo que podemos dizer é que se trata de um tratado histórico”, disse um porta-voz da União Europeia. Entre os países árabes de maioria sunita, o temor é que o fim do embargo sobre o Irã represente a volta de Teerã como um ator influente na região. 

O Departamento de Estado americano deixou claro que precisa sair hoje de Lausanne com algum tipo de acordo, sob o risco de o Congresso utilizar um eventual fracasso para adotar novas sanções contra o Irã, aprofundando as tensões. “Pontos muito difíceis ainda precisam ser superados”, disse à CNN o secretário de Estado americano, John Kerry, alertando que passaria a madrugada negociando. 

Segundo Abas Araghchi, negociador-chefe do Irã, o prazo final pode ser substituído por um novo compromisso que seria negociado nos próximos três meses. Num sinal das dificuldades enfrentadas, o chanceler russo, Sergei Lavrov, abandonou Lausanne e disse que retornaria hoje apenas se houver “uma possibilidade realista” de acordo. 

O principal impasse é sobre as sanções que o Ocidente mantém sobre o Irã. Teerã quer garantias de que elas serão imediatamente suspensas e não voltarão a ser aplicadas de forma automática, caso algum capítulo do acordo seja descumprido. Mas, para a Casa Branca, as sanções devem ser levantadas de forma gradual e algumas poderiam ser mantidas por até dez anos, mesmo com o acordo. A percepção na Europa e nos EUA é que justamente o isolamento econômico forçou o Irã a negociar. 

Outra questão pendente é a duração do acordo e o que poderia ocorrer dentro do Irã em termos de avanços tecnológicos. Teerã pode reduzir de 20 mil para 6 mil o número de suas centrifugas, mas sob determinadas condições.

Os EUA querem o congelamento das atividades nucleares por dez anos. A partir daí, Teerã poderia progressivamente voltar a manter algum tipo de programa de enriquecimento de urânio. O Irã quer recuperar seus direitos imediatamente depois dos dez anos. Teerã também rejeita enviar seu estoque de urânio enriquecido ao exterior, algo que o Departamento de Estado considera fundamental. 

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