Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Imperador do Japão vai abdicar do cargo após 200 anos sem renúncias na monarquia

Akihito será sucedido pelo filho mais velho, o príncipe herdeiro Naruhito; o último imperador a deixar o trono foi Kokaku, em 1817

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 02h36

TÓQUIO - O imperador do Japão Akihito planeja abdicar do cargo no dia 30 de abril de 2019, aos 85 anos, segundo informou o primeiro-ministro Shinzo Abe nesta sexta-feira, 1º. Trata-se da primeira renúncia em cerca de 200 anos.

"Decidimos que a implantação (de uma lei especial que permite ao imperador abdicar) será em 30 de abril de 2019", disse Abe a jornalistas depois de se reunir com o imperador. O filho mais velho de Akihito, o príncipe herdeiro Naruhito, vai sucedê-lo no dia seguinte, em 1º de maio, marcando o início de uma nova era.

A decisão foi tomada nesta sexta-feira durante uma reunião do Conselho da Casa Imperial, que incluiu políticos, funcionários judiciais e membros da família imperial. A aprovação formal do gabinete sobre a decisão deverá ser apresentada no dia 8 de dezembro. Uma lei adotada em junho permite que Akihito saia do cargo, mas o momento em que isso aconteceria era um dos detalhes ainda não definidos.

Akihito já tinha expressado o desejo de abdicar do trono. Ele passou por cirurgia cardíaca e tratamento para o câncer de próstata e chegou a dizer, em raros momentos, que temia que a idade dificultasse o cumprimento das funções dele.

A vontade do imperador de renunciar ao cargo reavivou um debate sobre a monarquia de dois mil anos do país, uma das mais antigas do mundo, bem como a discussão sobre a melhoria do status das mulheres membros da população real. As atuais regras de sucessão do sexo masculino proíbem as mulheres de ascender ao Trono de Crisântemo, e as mulheres perdem seu status real quando se casam com um plebeu, ou seja, alguém que não é da realeza.

Akihito tinha 56 anos quando subiu ao trono, em janeiro de 1989, após a morte do pai dele, o imperador Hirohito, começando a Era Heisei. A legislação para o caso de Akihito era necessária porque a Lei da Câmara Imperial de 1947 não prevê abdicação. O último imperador a abdicar foi Kokaku, em 1817. /AFP, AP e Reuters

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