Nicole Kolster/
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Importação de itens de higiene pessoal dispara na Venezuela

Governo opta por trazer papel higiênico e pasta de dente de fora em vez de vender dólares a produtores que importam matéria-prima

O Estado de S. Paulo

27 Março 2015 | 16h41

 

CARACAS -A importação de produtos de higiene pessoal na Venezuela disparou no ano passado, em meio à crise crônica de escassez no país, agravada pela queda no preço do petróleo a partir do segundo semestre. Segundo dados divulgados pelo Ministério do Comércio nesta sexta-feira, 27, a compra de papel higiênico cresceu 320%, enquanto a de pasta de dente subiu 2000%. A compra de fraldas de outros países, no entanto, caiu 22%.

Segundo o ministério, o objetivo do aumento foi garantir o fornecimento de itens básicos de higiene principalmente às cidades menores do interior do país. O contrabando de produtos, principalmente na fronteira com a Colômbia, no entanto, também estimula a escassez. 

Empresários do setor de higiene pessoal venezuelano reclamam que o governo não tem liberado o acesso aos dólares necessários para a compra de matéria-prima usada na fabricação desses produtos e opta por importá-los diretamente do exterior. 

Para tentar corrigir o desequilíbrio cambial no país, o governo decidiu no mês passado liberar de maneira controlada a venda de dólares para empresas e pessoas físicas com uma taxa flutuante 30 vezes maior que a usada nos contratos oficiais. O volume da moeda americana ofertado, no entanto, é pequeno.

No primeiro mês de funcionamento da banda flutuante de dólar, conhecido como Simadi, foram vendidos US$ 2,6 milhões, em 17 mil operações de câmbio. “É muito pouco, mas saímos do zero”, disse o presidente da Associação Venezuelana de Casas de Câmbio, Cesar Atencio. 

A venda de dólares em casas de câmbio estava proibida no país desde 2003. O dólar Simadi começou cotado a 172 bolívares e hoje vale 193. Um dos objetivos do governo com esse mercado é derrubar o preço do dólar paralelo, mas no mesmo período ele se valorizou ainda mais e ontem era cotado a 247 bolívares. Há um mês, custava 175 bolívares.

Diálogo. Ainda ontem, O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse que o país está pronto para iniciar um diálogo com os Estados Unidos, semanas depois de o presidente Barack Obama ter anunciado sanções contra membros do governo chavista. .

“A Venezuela está pronta para um diálogo com base no respeito e nos termos de igualdade entre os Estados com o governo do presidente Barack Obama onde ele quiser, quando quiser e como quiser, assim o digo como presidente da República Bolivariana da Venezuela, estamos pronto”, disse em discurso em Caracas. / EFE

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