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Imprensa europeia repercute bombardeio americano na Síria

Decisão tomada por Donald Trump de atacar base aérea de Bashar Assad é o principal destaque dos sites e das emissoras de TV na Inglaterra e na França nesta sexta-feira

Célia Froufe, Correspondente / Londres, O Estado de S.Paulo

07 Abril 2017 | 10h29

LONDRES - Os principais jornais da Europa destacam no alto de suas páginas na internet e os canais de televisão repetem ao longo da programação na manhã desta sexta-feira, 7, as notícias sobre o bombardeio dos Estados Unidos contra uma base aérea na Síria, durante a madrugada, que deixou ao menos 9 civis mortos. A ação é uma resposta ao ataque químico que matou cerca de 70 pessoas no começo da semana e foi atribuído pelos EUA e pela Europa ao governo de Bashar Assad.

Este foi o primeiro movimento bélico da era Donald Trump e é considerado também a primeira ação militar contra o do presidente sírio. A empreitada americana ocorreu no início da noite nos Estados Unidos, madrugada em muitos países europeus. Mesmo assim, a maior parte dos jornais da região conseguiu atualizar as informações em suas edições impressas.

O britânico The Guardian diz que o Kremlin considerou a atuação como um "golpe significativo" para as relações dos Estados Unidos com a Rússia. Também no Reino Unido, o econômico Financial Times comentou que a declaração de Trump explicando a autorização da ação militar ocorreu num resort na Flórida, onde ele se encontra pela primeira vez com o presidente da China, Xi Jinping. Para Trump, a Síria foi a causadora de "um horrível ataque com armas químicas, que matou civis inocentes".

Na França, o Le Monde destacou que a Rússia considerou a reação americana uma "agressão" contra um "Estado soberano" e relata que as reações internacionais se seguem umas às outras, entre "apoio total" de aliados dos EUA e condenação de seus oponentes. A manchete do também francês Le Figaro diz que o "drama sírio traz tensão à relação Trump-Putin" e afirma que Moscou - que condenou a ação militar americana - solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar do tema.

Em plena campanha para a eleição presidencial no país, com o primeiro turno no dia 23, a Frente Nacional - partido da candidata de extrema direita, Marine Le Pen - se disse "desapontada" com Trump, conforme os dois jornais principais da França. 

A ação coordenada pelos EUA foi apontada pelo espanhol El País como uma "mudança radical" na política de Washington sobre a Síria, o que abre um possível conflito direto com Moscou, principal defensor de Assad. O diário enfatiza que a atuação militar também envia um recado ao Irã e à Coreia do Norte: os EUA de Trump estão prontos para disparar "contra aqueles que cruzam suas linhas vermelhas".

Na televisão estatal britânica BBC, as imagens do presidente americano não saem da tela, com atualizações e repercussões sobre o assunto. O canal informa que o governo sírio considerou o ataque uma "agressão flagrante" ao país. À Sky News, o secretário de Defesa do reino Unido, Michael Fallon, disse que é preciso fazer um grande mudança na Síria, na qual "Assad não terá nenhum papel". O canal Euronews intercala imagens fortes de vítimas sendo resgatadas e recebendo atendimento em razão do ataque químico no começo da semana com o pronunciamento de Trump após a ação militar.

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