Victoria Jones/PA via AP
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Número de mortos em incêndio de prédio residencial de Londres sobe a 12

Polícia investiga se revestimento colocado na fachada em reforma de 2016 teria estimulado o alastramento das chamas e apura sinais de falhas múltiplas no sistema de prevenção e fuga

O Estado de S.Paulo

14 Junho 2017 | 00h10
Atualizado 14 Junho 2017 | 21h29

LONDRES -   SSubiu para 12 o número de mortos no incêndio que destruiu na madrugada desta quarta-feira um prédio de apartamentos de 24 andares na zona oeste de Londres. A polícia investiga as causas, mas há sinais de falhas múltiplas no sistema de prevenção.  O revestimento colocado na fachada em reforma no ano passado teria estimulado o rápido alastramento das chamas.   Dos 68 feridos, 18 estão em estado grave e há muitos desaparecidos.

Mais de 200 bombeiros, com o auxílio de 40 caminhões, combateram o fogo por 16 horas no prédio que abrigava entre 400 e 600 moradores – a maioria deles de baixa renda – próximo aos bairros nobres de Kensington e Chelsea. A maior parte dos sobreviventes foi resgatada ainda de pijamas. “Vimos muitos vizinhos gritando por ajuda, adultos e crianças”, disse a moradora Amina Sharif. “Não podíamos fazer nada e vimos tudo colapsar em meio aos gritos.”

Alguns moradores tentaram amarrar lençóis uns nos outros para escapar escalando as paredes do prédio de 24 pisos – as primeiras informações divulgadas na madrugada desta quarta-feira afirmavam, equivocadamente, que a Torre Grenfell teria 27.

“Não sei o que aconteceu com quem tentou descer pelo lado de fora”, afirmou o morador Saimar Lleshi. Bombeiros de Londres continuavam combatendo pequenos focos de incêndio no local durante a tarde desta quarta-feira e iniciaram um trabalho de inspeção nos andares onde o fogo já havia sido completamente apagado.

Investigações. Em pronunciamento, a primeira-ministra britânica, Theresa May, lamentou a tragédia e prometeu providências.  “Assim que o local for considerado seguro e quando conseguirmos identificar as causas do incêndio, teremos a investigação adequada sobre o incêndio”, disse. “Quaisquer lições a serem aprendidas serão levadas em conta e as ações necessárias serão tomadas.”

O Corpo de Bombeiros de Londres declarou que o incêndio foi sem precedentes, tanto em tamanho quanto na rapidez com a qual as chamas se espalharam. Os bombeiros chegaram a avançar até o 20.° andar na operação de resgate. A entidade lembrou que ainda era cedo para definir as causas das chamas, mas havia sinais de falha no sistema de prevenção e fuga. O risco de desmoronamento foi descartado. 

De acordo com alguns moradores, não foi ouvido alarme de incêndio quando a fumaça começou. Nos últimos meses, houve repetidas reclamações contra as limitações do sistema de combate a incêndios do edifício desde a última reforma, realizada em 2016.

Nesta obra, foram instaladas portas corta-fogo e os moradores foram orientados a, em caso de incêndio, permanecer em suas residências. O sistema seria capaz de resistir pelo menos 30 minutos, o que daria tempo para a chegada dos bombeiros. Essa tática não funcionou porque o fogo avançou rapidamente pelo exterior do edifício.

Documentos obtidos pelo jornal britânico Independent indicam que o revestimento usado no prédio provavelmente ajudou a espalhar as chamas por todo o edifício e foi colocado durante a reforma para melhorar a fachada, em um projeto de revitalização da região.

 

Ainda de acordo com o diário, o revestimento tinha como objetivo aproximar o visual do prédio de edifícios vizinhos em áreas nobres do norte de Kensington. “Em virtude da altura da torre e por ela ser visível em áreas adjacentes ao Projeto de Conservação de Ladbroke, as mudanças vão melhorar sua aparência, principalmente quando vista de bairros próximos”, diz o documento de 2014 do conselho de obras de Kensington e Chelsea. A empresa Rydon, responsável pela reforma, prometeu cooperar com as investigações. 

Críticas. O líder do Partido Trabalhista britânico, Jeremy Corbyn, sugeriu que os cortes de verba dos últimos anos podem ter contribuído para o incêndio.

“Se você nega às autoridades locais o financiamento que elas precisam, existe um preço a se pagar”, disse ele à rádio LBC. / REUTERS, EFE, AP e AFP

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