Rafael Marchante/Reuters
Rafael Marchante/Reuters

Incêndio florestal em Portugal deixa ao menos 61 mortos

Primeiro-ministro chegou a informar que o número de vítimas era 62, mas uma delas havia sido contabilizada duas vezes; pelo menos 30 pessoas morreram presas dentro de seus veículos

O Estado de S.Paulo

17 Junho 2017 | 20h27
Atualizado 18 Junho 2017 | 19h24

LISBOA - Um grande incêndio florestal na região central de Portugal que começou na noite de sábado deixou ao menos 61 mortos, entre eles 30 que ficaram presos no interior de seus veículos. O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou neste domingo, 18, que não lembrava de uma “tragédia dessa dimensão”. 

Cerca de 800 bombeiros e 250 veículos combatiam o fogo ainda na tarde deste domingo em Pedrogão Grande, uma área montanhosa cerca de 200 km a nordeste de Lisboa. As chamas se estenderam por várias frentes.

O premiê Costa chegou a dizer que o número de mortos era 62, mas a cifra foi corrigida para 61, porque uma vítima havia sido contabilizada duas vezes. “Mas certamente encontraremos mais vítimas”, acrescentou Costa, emocionado, após uma visita ao local do incêndio.

Muitas das vítimas ficaram presas no interior de seus carros quando circulavam por uma estrada entre Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra. “É difícil dizer se estavam fugindo do fogo ou se foram surpreendidas por ele”, explicou o secretário de Estado para questões internas, Jorge Gomes.

Autoridades afirmaram ter encontrado 17 corpos perto da estrada, provavelmente de vítimas que perceberam que não conseguiriam seguir viagem com os carros e tentaram fugir a pé. “Infelizmente, esta é, sem dúvida, a pior tragédia que conhecemos nos últimos anos em termos de incêndios florestais”, reconheceu Costa, na sede da Defesa Civil.

Solidariedade. 

Dezenas de afetados que fugiram de suas casas foram acolhidas pelos habitantes de uma localidade vizinha, Ansiao. “Há pessoas que chegaram dizendo que não queriam morrer em sua cassa, envoltas pelas chamas”, explicou o morador Ricardo Tristao.

“Houve um momento muito tenso no povoado de Moninhos Cimeiros, onde várias moradias tiveram de ser esvaziadas e, se não tivéssemos chegado lá, tudo teria virado fumaça”, explicou o bombeiro Mario Maia.

Segundo o primeiro-ministro, “a prioridade é salvar quem possa continuar em perigo”. Costa acrescentou ser vital se concentrar na prevenção de novos incêndios, em meio a uma contínua onda de calor, ventos fortes e falta de chuvas. 

No sábado, um forte calor atingiu Portugal, com temperaturas que superaram os 40 graus em várias regiões. Cerca de 60 incêndios florestais foram registrados em todo o país durante a noite de sábado e cerca de 1.700 bombeiros foram mobilizados para combatê-los.

O primeiro-ministro explicou que os diversos focos de incêndio podem ter sido provocados pela queda de raios em zonas onde ocorrem tempestades elétricas. O principal foco atingiu vários povoados, onde foram colocados em andamento planos de retirada.

O presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, viajou à zona atingida para prestar condolências às famílias das vítimas, e disse que “compartilha sua dor, em nome de todos os portugueses”.

O governo declarou três dias de luto e enviou dois batalhões do exército para ajudar os serviços de emergência. 

Apoio.

A União Europeia disse que enviará aeronaves de combate a incêndios. “Meus pensamentos estão com as vítimas em Portugal”, tuitou o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

A França ofereceu três aviões e a Espanha enviou neste domingo dois, disseram autoridades.

No Vaticano, o papa Francisco, que visitou o país no mês passado, mencionou a tragédia em seu discurso semanal. “Estou perto do povo querido de Portugal, atingido por um fogo devastador.”

Relativamente poupado nos anos de 2014 e 2015, Portugal foi duramente atingido no ano passado por incêndios florestais que devastaram mais de 100 mil hectares. Na ilha turística de Madeira, onde o fogo deixou três mortos em agosto, 5.400 hectares foram devorados pelas chamas em 2016 e 40 moradias foram destruídas.

Em 1966, um violento incêndio causou a morte de 25 militares que tentavam em vão controlá-lo. /AFP, REUTERS e NYT

 

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