Índios acusam 'brasiguaios' de envenenar povoado

Um grupo de cem indígenas paraguaios protestou hoje, em Assunção, contra seis produtores de soja "brasiguaios" (paraguaios de origem brasileira) que teriam jogado agrotóxico de um avião agrícola sobre um povoado, intoxicando os habitantes. Os índios ocupam parte das terras dos agricultores.

AE-AP, Agencia Estado

16 Novembro 2009 | 18h35

"Queremos a intervenção do Ministério do Interior, do Ministério da Saúde e do Congresso para defender os direitos indígenas", disse Maria Luisa Duarte, porta-voz dos indígenas Ava Guarani, aos jornalistas, enquanto liderava uma passeata pelas ruas da capital. "Nós denunciamos os produtores de soja de Itakyry por terem jogado agrotóxicos sobre o povoado indígena", disse. A localidade fica 450 quilômetros ao leste de Assunção.

Cerca de 217 indígenas Ava Guarani se apresentaram nos postos públicos de saúde no departamento do Alto Paraná, na fronteira com o Brasil. Os indígenas disseram ter sintomas de cefaleia, vômitos e diarreia. Os médicos no hospital regional do governo em Ciudad del Este, capital do Alto Paraná, descartaram uma intoxicação por agrotóxicos e pediram análises de amostras de sangue dos indígenas.

Supostamente, os responsáveis pela intoxicação por agrotóxicos seriam os produtores Alair Alfonso, Milton Alfonso, Oscar Ofelio Blanco, Carlos Augusto Nobili, Luis Alberto Jackier Cerca e Martio Schmith, todos paraguaios de origem brasileira. Já os seis produtores rurais reclamam a restituição de 2 mil hectares de terras invadidos pelos indígenas. Atualmente, os agricultores cultivam trigo, soja e girassol em 13 mil hectares.

Jackier Cerca, dono de uma das fazendas, nega que tenha ocorrido envenenamento por agrotóxico e diz: "O fundo do problema é simples: os indígenas ocupam nossas terras, que eles reclamam como deles. Existe ordem judicial de reintegração de posse ao nosso favor que os Ava Guarani não querem cumprir".

Mais conteúdo sobre:
Paraguai índios brasiguaios envenenamento

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.