AFP PHOTO / JOHN THYS
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Investigadores internacionais conseguem entrar em Duma e recolhem amostras

Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) terá de compilar amostras químicas, ambientais e biomédicas, interrogar vítimas, testemunhas, equipes médicas e podem até participar de necropsias

O Estado de S.Paulo

21 Abril 2018 | 10h17
Atualizado 23 Abril 2018 | 16h34

HAIA - Investigadores internacionais conseguiram finalmente entrar neste sábado, 21, na cidade síria de Duma para coletar amostras duas semanas após um suposto ataque químico no local, que motivou uma ofensiva militar do Ocidente contra o regime de Bashar Assad.

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Da sede em Haia, a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) informou que "vai avaliar a situação e decidir os próximos passos, inclusive a possibilidade de outra visita a Duma". A organização é capaz determinar se houve uso de armas químicas, mas não identificar os autores.

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"As amostras recolhidas serão enviadas ao laboratório da Opaq em Rijswijk (periferia de Haia), antes de serem distribuídas em vários laboratórios no mundo certificados pela organização", explicou o organismo encarregado de assegurar a destruição das armas químicas e evitar qualquer forma de seu desenvolvimento.

O grupo terá de compilar "amostras químicas, ambientais e biomédicas", interrogar vítimas, testemunhas, equipes médicas e podem até participar de necropsias, explicou a Opaq. Eles também buscarão indícios de que o local tenha sido alterado, segundo especialistas.

"As amostras de necropsias, se estiverem disponíveis, podem fornecer provas de valor incalculável, já que agentes neurotóxicos podem ser encontrados em muitos órgãos", garantiu Alastair Hay, professor de toxicologia ambiental na Universidade de Leeds.

As primeiras acusações falam em cloro gasoso e até gás sarin, um agente neurotóxico mais potente. Especialistas buscarão "formas degradadas" deste gás. Embora seja difícil detectar cloro após certo período de tempo, os restos de sarin podem ser encontrados durante semanas.

As amostras serão analisadas em laboratórios especializados e os resultados podem ficar prontos em duas semanas, segundo especialistas.

Tensão

O suposto ataque com gás tóxico no dia 7 de abril, que deixou ao menos 40 mortos em Duma, segundo equipes de resgate, provocou enfrentamentos diplomáticos entre as grandes potências, contrapondo Washington e Moscou.

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O regime sírio, que executava uma campanha violenta para recuperar a cidade das mãos de rebeldes, nega ter recorrido ao uso de armas químicas e já havia solicitado uma investigação da Opaq. Mas, desde sua chegada há uma semana a Damasco, especialistas do grupo não tinham conseguido ir a Duma, ex-reduto rebelde no entorno da capital.

A Rússia, aliada do regime de Assad, alegou motivos de segurança. Já os ocidentais acusaram Moscou e Damasco de dificultar as investigações para fazer as provas desaparecerem, o que foi negado pelo Kremlin. / AFP

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