Pavel Golovkin/Pool/EFE
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Instituto ligado a Putin elaborou plano para alterar rumo da eleição nos EUA, diz documento

Documento recomendeu ao Kremlin que fizesse uma campanha de propaganda por candidato com tom mais brando em relação à Rússia

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2017 | 23h36

WASHINGTON – Um instituto do governo russo controlado por Vladimir Putin desenvolveu um plano para alterar o rumo da eleição presidencial dos Estados Unidos de 2016 em favor de Donald Trump e enfraquecer a confiança de eleitores no sistema eleitoral americano, disseram três atuais e quatro ex-autoridades dos EUA à Reuters.

Elas descreveram dois documentos confidenciais do instituto como fornecedores do panorama e base lógica pelos quais agências de inteligência dos EUA concluíram ter sido um intenso esforço da Rússia de interferir na eleição de 8 de novembro. Autoridades da Inteligência dos EUA adquiriram os documentos, preparados pelo Instituto Russo para Estudos Estratégicos, com sede em Moscou, após a eleição.

O instituto é comandado por autoridades seniores aposentadas da inteligência externa da Rússia escolhidas pelo gabinete de Putin.

O primeiro documento do instituto russo foi um documento estratégico escrito em junho que circulou nos mais altos níveis do governo russo, mas não tinha como destino indivíduos específicos.

O documento recomendava que o Kremlin realizasse uma campanha de propaganda nas redes sociais e nos veículos de notícias globais apoiados pelo Estado russo para encorajar eleitores dos EUA a votarem em um presidente que assumisse um tom mais suave em relação à Rússia do que o então presidente Barack Obama, disseram as sete autoridades.

O segundo documento do instituto, esboçado em outubro e distribuído da mesma maneira, alertava que a candidata presidencial democrata Hillary Clinton era provável vencedora da eleição. Por esta razão, segundo o documento, seria melhor para a Rússia finalizar sua propaganda pró-Trump e intensificar sua mensagem sobre fraudes eleitorais e prejudicar a legitimidade do sistema eleitoral americano e danificar a reputação de Hillary, em esforço para prejudicar sua presidência, afirmaram as sete autoridades.

As atuais e ex-autoridades americanas falaram em condição de anonimato em razão das informações confidenciais dos documentos russos. Elas se negaram a falar sobre como os EUA conseguiram os documentos. Agências de inteligência dos EUA também rejeitaram comentar.

Putin nega ter interferido na eleição dos EUA. O porta-voz de Putin e o instituto russo não responderam a pedidos de comentários.   

Os documentos foram essenciais para a conclusão do governo Obama de que a Rússia iniciou uma campanha de “notícias falsas” e realizou ataques cibernéticos contra grupos do Partido Democrata e a campanha de Hillary, disseram as fontes.

“Putin tinha o objetivo em mente o tempo inteiro e ele pediu ao instituto que desenhasse um mapa”, disse uma das fontes, uma ex-autoridade sênior da inteligência dos EUA.

Trump disse anteriormente que atividades russas não tiveram impacto no resultado da corrida eleitoral. Investigações em curso no Congresso e FBI sobre a interferência russa não produziram até o momento evidências públicas de que aliados de Trump conspiraram com os esforços russos para alterar o resultado da eleição. / REUTERS

 

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