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Insurgentes sunitas mataram ao menos 160 prisioneiros no Iraque

O Estado de S. Paulo

27 Junho 2014 | 08h 53

Segundo o grupo Human Rights Watch, imagens e fotografias mostram soldados iraquianos sendo capturados e mortos

BAGDÁ - Insurgentes sunitas executaram pelo menos 160 prisioneiros na primeira metade de junho na cidade de Tikrit, norte do Iraque, afirmou o grupo humanitário Human Rights Watch (HRW) nesta sexta-feira, 27, a partir da análise de imagens de satélite e fotografias divulgadas pelos militantes.

"As fotografias e imagens de satélite de Tikrit são fortes evidências de um horrível crime de guerra que precisa ser investigado", afirmou em comunicado Peter Bouckaert, diretor de emergências do HRW.

O grupo americano disse que insurgentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigla em inglês) mataram entre 160 e 190 homens em duas localidades em Tikrit entre 11 e 14 de junho. "O número de vítimas pode ser maior, mas a dificuldade de localizar os corpos e ter acesso à área impede uma investigação completa", afirmou a HRW.

Após tomar grande parte do território ao norte do Iraque e assumir o controle das cidades de Mossul e Tikrit, o grupo extremista postou fotografias num site militante retratando combatentes colocando soldados capturados em caminhões. Em seguida, os prisioneiros apareciam deitados no chão, com as mãos amarradas às costas. As últimas fotografias mostravam os corpos dos prisioneiros.

O porta-voz do Exército iraquiano, tenente-general Qassim al-Moussawi, confirmou a autenticidade das fotografias no dia 15 e disse estar ciente de casos de assassinatos em massa de soldados iraquianos capturados em áreas dominadas pelo Isil.

Na ocasião, ele disse à Associated Press que o exame das imagens feito por especialistas militares mostraram que cerca de 170 soldados foram executados após serem capturados. As legendas das fotos divulgadas pelos insurgentes diz que "centenas foram liquidados", mas não especifica o número de mortos.

O massacre parecer ter como objetivo amedontrar as Forças Armadas iraquianas, que deixaram seus postos quando o Isil tomou a maior parte do norte do país em apenas alguns dias. "Este é o destino que espera os xiitas enviados por Nuri para combater o sunitas", diz a legenda de uma foto, numa referência ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

O rápido avanço do Isil e de militantes sunitas aliados reacendeu tensões sectárias. Milícias xiitas fortemente armadas prometem defender Bagdá e templos reverenciados nas cidades do sul. / AP