AFP PHOTO / SPUTNIK / Mikhail KLIMENTYEV
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Inteligência americana vê vitória de Assad na Síria

'Conflito mudou de maneira decisiva em favor do regime sírio', diz relatório de inteligência entregue ao Senado americano

Cláudia Trevisan, Correspondente/ Washington, O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 18h24

Enfraquecida depois de sete anos de guerra civil, a oposição síria não tem mais capacidade para derrotar Bashar Assad, que também deverá ter sucesso na ofensiva militar contra o Estado Islâmico, avaliaram os líderes da comunidade de inteligência dos EUA em relatório sobre ameaças globais entregue ontem ao Senado. “O conflito mudou de maneira decisiva em favor do regime sírio”, afirmou o texto.

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Segundo o documento, esse cenário permitirá que Irã e Rússia –os principais aliados de Assad- ampliem sua presença e influência dentro do país.

Na semana passada, um ataque da coalisão liderada pelos EUA provocou a morte de cerca de 100 soldados que lutavam do lado de Assad. Informações preliminares divulgadas pela imprensa americana ontem indicavam que ao menos parte dos mortos era de russos. A agência de notícias Bloomberg disse que a maioria dos mortos era de mercenários russos, no que teria sido o maior confronto entre Washington e Moscou desde o fim da Guerra Fria. A informação não foi confirmada oficialmente.

O diretor Nacional de Inteligência dos EUA, Dan Coats, disse na apresentação do relatório ao Comitê de Inteligência do Senado que o risco de conflitos entre nações, incluindo grandes potências, está no patamar mais elevado desde o fim da Guerra Fria. O documento entregue aos parlamentares identifica como ameaças mais imediatas a Coreia do Norte e a rivalidade entre Arábia Saudita e Irã.

Outro fator que eleva a tensão entre nações, aos olhos da inteligência americana, é a emergência do populismo e de sentimentos nacionalistas nos países desenvolvidos. O texto não faz referência ao presidente Donald Trump, mas ele é a face desse fenômeno nos EUA.

Em clara divergência com o ocupante da Casa Branca, os seis chefes das agências de inteligência que depuseram no Senado foram unânimes na avaliação de que a Rússia atuou para influenciar a eleição de 2016 e está pronta para fazer o mesmo nas eleições parlamentares de meio de mandato previstas para novembro. O presidente da CIA, Mike Pompeo, declarou que a agência já identificou atividades russas voltadas a influenciar o pleito.

Coats disse que a crescente dívida pública americana, de US$ 20 trilhões, é “insustentável” representa uma ameaça à capacidade de defesa do país. Anteontem, Trump apresentou projeto de Orçamento que aumenta a cifra em US$ 7 trilhões nos próximos dez anos.

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