Niels Hougaard /Ritzau via AP
Niels Hougaard /Ritzau via AP

Inventor diz que jornalista sueca morreu ao cair por acidente em submarino

A declarações foram dadas por Peter Madsen durante uma audiência que avaliará se ele continuará em prisão preventiva; acidente teria ocorrido quando ele caiu sobre ela, enquanto segurava escotilha

O Estado de S.Paulo

05 Setembro 2017 | 15h38

COPENHAGUE - O inventor dinamarquês Peter Madsen afirmou nesta terça-feira, 5, em um tribunal de Copenhague que a jornalista sueca Kim Wall, que teve parte do corpo encontrada há duas semanas no Mar Báltico, morreu ao cair por acidente no submarino no qual os dois viajavam e negou tê-la esquartejado.

Criador do submarino Nautilus, Madsen afirmou que segurava a escotilha, de 70 quilos, enquanto Kim subia as escadas, mas que não conseguiu se segurar, caiu em cima da repórter e a matou.

Após continuar navegando várias horas e enquanto pensava a possibilidade de suicidar, o inventor decidiu que não seria "decente" que Kim tivesse o submarino como túmulo. Por isso, arrastou o corpo e o jogou no mar.

As declarações foram dadas por Madsen durante uma audiência que avaliará se ele continuará em previsão preventiva. A juíza responsável pelo caso decidiu que o julgamento seria público.

"Escutei um som, o som de seu corpo caindo no fundo do submarino. A escotilha estava fechada, não a vi cair, só escutei o ruído", disse o inventor.

A polícia da Dinamarca concluiu que o tronco do corpo da jornalista foi cortado de forma intencional. Além disso, os peritos encontraram ferimentos compatíveis com uma tentativa de extrair o ar de seu interior para que afundasse e não fosse encontrado.

Madsen afirmou que também dormiu durante um momento enquanto o corpo da jornalista estava em outro compartimento. No entanto, atribuiu o fato de não ter pedido ajuda e de ter mudado de versão várias vezes depois do incidente em razão de seu estado mental.

"Eu sabia o mundo em que vivia, que é tudo para mim, que iria para o mesmo lugar que Kim. Estava sob uma psicose suicida", disse.

O inventor negou ter mantido relação sexual com Kim, mas admitiu ter levado outras mulheres para o submarino. E também reconheceu ter frequentado ambientes sadomasoquistas no passado.

No início da audiência, que ainda está em andamento, o promotor pediu que Madsen fique preso preventivamente por mais quatro semanas. Além disso, solicitou que o inventor seja julgado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, e também seja acusado de trato incedente com cadáver.

Kim, que iria entrevistar Madsen, desapareceu no dia 10 de agosto a bordo do Nautilus, um submarino de fabricação caseira que foi visto no dia seguinte na Baía de Koge, no sul de Copenhague, onde o inventor foi resgatado antes de a embarcação afundar.

Madsen disse inicialmente que a repórter tinha desembarcado horas depois do início da viagem e o submarino afundou por causa de um erro. Depois, mudou sua versão. A polícia, por sua vez, descobriu que a embarcação foi afundada propositalmente, informação que foi confirmada pelo inventor hoje.

"Foguete" Madsen, como é conhecido pela imprensa dinamarquesa, é conhecido por seus submarinos. / EFE

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