Investigação liga políticos hindus a conflitos na Índia

Uma investigação do governo da Índia liberada hoje aponta nomes de dezenas de políticos nacionalistas hindus supostamente relacionados à demolição da Mesquita Babri, em 1992. A ação desencadeou conflitos locais que causaram a morte de 2 mil pessoas, a maior explosão de tensão entre hindus e muçulmanos ocorrida no país em décadas.

AE-AP, Agencia Estado

24 Novembro 2009 | 15h41

O ataque de uma multidão hindu contra a mesquita ocorreu na cidade de Ayodhya, 550 quilômetros a leste de Nova Délhi. Os líderes nacionalistas hindus alegavam que a mesquita fora construída no local onde antes era um templo hindu, onde teria nascido o deus Ram.

A violência foi uma mácula na tradição secular indiana e mostrou as tensões religiosas no país. Uma cópia do relatório da investigação, obtido pela emissora "NDTV", listou 68 políticos, burocratas e outros funcionários nacionalistas hindus como envolvidos na violência. Entre eles está Atal Bihari Vajpayee, que depois se tornou primeiro-ministro.

A investigação de mil páginas contradiz versões de líderes nacionalistas, segundo os quais a demolição da mesquita foi algo espontâneo, realizado por ativistas hindus furiosos. O documento acusa o governo nacionalista hindu do Estado de Uttar Pradesh de encorajar dezenas de milhares de militantes hindus para irem até a mesquita, dias antes do ataque.

O Estado se recusou a enviar reforços policiais para proteger o templo, e agentes de segurança estavam orientados a não usar a força, segundo a apuração. O governo entregou ao Parlamento o atrasado relatório, mas, em meio a protestos, recusou-se a torná-lo público, até que ele vazou na televisão.

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