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Investimento no arsenal nuclear minguou sob George W. Bush

Em 2017, a manutenção da força nuclear consumirá US$ 25 bilhões

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2016 | 05h00

O arsenal nuclear americano jamais deixou de ser atualizado mas, sem pressão estratégica no setor, o processo saiu do campo das prioridades em 2006 por iniciativa do republicano George W. Bush, o presidente que sofreu o ataque do terror às Torres Gêmeas, em 2001. 

A força ainda está com Washington. Nada se compara ao estoque atômico de mais de 7 mil ogivas de mísseis, bombas de vários tipos, dispositivos subaquáticos, cargas de pequeno porte e, talvez um certo número de granadas de artilharia, preservadas há 50 anos. 

Por determinação do governo, 1.250 dessas peças precisam estar sempre prontas para uso. Em 2017, a manutenção da força nuclear vai consumir US$ 25 bilhões do orçamento total da Defesa, fixado em US$ 583 bilhões.

A situação está desconfortável para os EUA. Há dois meses, o presidente russo, Vladimir Putin, apresentou o programa de construção de 40 unidades do Satã-2, o maior míssil intercontinental já construído pela Rússia, provavelmente o primeiro do mundo com alcance planetário. Leva três cargas explosivas independentes, capazes portanto de realizar o voo final até o alvo – a 17 mil km de distância. 

A China mantém mísseis atômicos e 66 deles são capazes de atingir os Estados Unidos ou a Europa – 16 estão em fase de modernização. O Pentágono considera “no patamar do acompanhamento”, de acordo com o secretário da Defesa, Ashton Carter, as atividades da Coreia do Norte e teme “um eventual desvio de sistemas em poder de outras nações”, referência ao Paquistão e à Índia.

Trump terá de decidir como será conduzido o processo de atualização dos 450 mísseis longo alcance Minuteman e dos 330 possíveis de serem embarcados na nova geração dos imensos submarinos de ataque nuclear da classe Ohio. A primeira estimativa de custo bate em US$ 250 bilhões ao longo de 10 anos.

Um problema a menos nesse quadro foi resolvido pelo democrata Barack Obama: em outubro, o presidente destinou US$ 6 bilhões ao plano de atualização tecnológica das bombas atômicas B-61, de uso tático. São consideradas pequenas – ainda assim, são 17 vezes mais poderosas que o artefato lançado sobre Hiroshima, em agosto de 1945.

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