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Internacional

Irã

Irã acusa Arábia Saudita de agravar tensões entre os dois países

Riad rompeu relações diplomáticas com Teerã no domingo após a execução de um importante clérigo xiita. Rússia afirmou que está disposta a atuar como intermediária na disputa entre as nações

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O Estado de S. Paulo

04 Janeiro 2016 | 11h58

DUBAI - O Irã acusou nesta segunda-feira, 4, a Arábia Saudita de usar o ataque contra sua embaixada em Teerã como pretexto para agravar as tensões e os confrontos entre os dois países. No domingo, Riad rompeu relações diplomáticas com os iranianos após a execução de um importante clérigo xiita.

"A Arábia Saudita baseia sua existência na continuidade das tensões e dos enfrentamentos, e tenta resolver seus problemas internos exportando-os ao exterior", disse Hossein Jaber Ansari, porta-voz da diplomacia iraniana.

O Irã afirmou que o rompimento das relações diplomáticas não apagará o "erro estratégico" da execução do clérigo xiita saudita Nimr Baqer al-Nimr.

As relações entre Arábia Saudita, um país sunita, e Irã, xiita, passam por constantes atritos desde a Revolução Iraniana de 1979, que acabou com a monarquia do xá e instaurou a República Islâmica.

Em um novo episódio de tensão, um grupo não identificado abriu fogo no domingo à noite contra a polícia saudita na cidade natal do líder xiita, onde uma pessoa morreu, informou a imprensa oficial.

As autoridades de Riad anunciaram então a ruptura das relações diplomáticas com o Irã, após os ataques contra suas sedes diplomáticas em Teerã e Mashhad, incendiadas no sábado.

O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, deu 48 horas aos funcionários da representação diplomática iraniana para abandonar o país. Os ataques contra as sedes diplomáticas sauditas são "uma violação flagrante das convenções internacionais", disse o chanceler.

Jaber Ansari afirmou que o Irã "respeita seus compromissos para proteger as representações diplomáticas, manter sua segurança e a de seus diplomatas". O irmão de Nimr condenou os ataques contra as sedes diplomáticas sauditas e criticou o fato de o clérigo ter sido enterrado em um cemitério desconhecido.

"Rejeitamos e condenamos o ataque contra as embaixadas e consulados do reino no Irã", escreveu Mohammed al-Nimr em uma mensagem em árabe no Twitter.

Manifestações. A execução de Nimr e de outras 46 pessoas, em sua maioria condenadas por terrorismo, provocou manifestações violentas na comunidade xiita de vários países do Oriente Médio, incluindo Irã, Iraque, Bahrein e Líbano.

De acordo com Amir Abdollahian, a Arábia Saudita "prejudicou os interesses de seu próprio povo e das populações muçulmanas da região com o complô para provocar a queda do preço do petróleo".

Teerã considera que Riad teve um papel primordial na queda do preço do petróleo ao manter a produção em um nível muito elevado. As cotações do petróleo estavam elevadas nesta segunda-feira após a decisão saudita de romper relações com o Irã.

As duas potências regionais também se enfrentam pelas crises na Síria, Iraque e Iêmen, com trocas de acusações sobre ambições expansionistas.

Preocupação. Depois da execução do clérigo xiita e dos protestos no Irã, os governos dos EUA, França, e Alemanha, assim como a União Europeia e a ONU, manifestaram preocupação com o aumento da tensão na região.

Nesta segunda-feira, a Rússia se ofereceu como intermediária na disputa entre Arábia Saudita e Irã. "A Rússia está disposta a atuar como intermediária entre Riad e Teerã", disse uma fonte do Ministério das Relações Exteriores, sem detalhar o papel que poderia ser desempenhado por Moscou.

"Como amigos, nós estaríamos prontos a realizar, se for solicitado, um papel de intermediários (...) para resolver as contradições existentes e qualquer outra que venha a surgir entre esses dois países", disse a fonte, segundo a agência de notícias RIA. /AFP, REUTERS e EFE

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