Princeton University via The New York Times
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Irã diz que condenou estudante americano a 10 anos de prisão por espionagem

De acordo com o site oficial do Judiciário iraniano, Xiyue Wang, de 37 anos, foi vigiado e arquivou digitalmente 4,5 mil páginas de documentos desde que chegou ao país até o momento de sua prisão, em julho de 2016; EUA pedem libertação de 'detidos injustamente'

O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 12h06

TEERÃ - Um tribunal iraniano condenou um estudante de doutorado da Universidade de Princeton a 10 anos de prisão sob acusação de espionagem, disse um porta-voz do Judiciário do Irã no domingo, no mais recente caso envolvendo cidadãos com dupla nacionalidade presos por acusações relacionadas à segurança no país.

Xiyue Wang, de 37 anos, foi acusado de "espionagem sob disfarce de pesquisa", de acordo com o Mizan, o site oficial do Judiciário do Irã. Wang nasceu na China mas naturalizou-se como cidadão dos Estados Unidos.

"Essa pessoa, que estava recolhendo informações e era direcionada diretamente pelos EUA, foi condenada a 10 anos de prisão, mas a sentença pode ser alvo de recurso", disse o porta-voz Gholamhossein Mohseni Ejei à televisão estatal.

Segundo um relatório publicado no Mizan, desde que chegou ao país Wang foi vigiado e arquivou digitalmente 4,5 mil páginas de documentos, informou nesta segunda-feira a televisão estatal "Press TV".

Wang estava associado ao centro iraniano Sharmin e Bijan Mossavar-Rahmani, que realiza estudos sobre o Irã e o Golfo Pérsico da universidade de Princeton dos EUA. Ele fora detido em julho de 2016 quanto tentava deixar o Irã "após ter demonstrado nervosismo com sua situação", disse a Mizan.

O Departamento de Estado dos EUA acusou o Irã de inventar acusações relacionadas à segurança nacional para prender cidadãos americanos e outros estrangeiros. "Pedimos a libertação imediata de todos os cidadãos dos EUA detidos injustamente pelo Irã para que possam voltar para suas famílias", disse uma autoridade do Departamento de Estado.

Histórico

Em outubro do ano passado, dois americanos, Siamak Namazi e seu pai, Baquer Namazi, que também têm nacionalidade iraniana, foram condenados no país asiático e, desde então, os EUA exigem sua libertação.

Além disso, depois que em março completaram dez anos sem que houvesse notícias do paradeiro de Robert Levinson, um ex-agente do FBI (a polícia federal dos EUA) desaparecido no Irã em 2007, o governo americano pediu à república islâmica que cumpra com seu compromisso de cooperar em sua busca.

Em janeiro de 2016, as autoridades iranianas libertaram o jornalista do "The Washington Post" Jason Rezaian e outros três cidadãos irano-americanos em troca da retirada de acusações contra sete iranianos por parte dos Estados Unidos. / REUTERS e EFE

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