Irã teria aceitado proposta de troca de urânio feita pelo Brasil

Plano, porém, não foi detalhado por Ahmadinejad, que pretende discutir o assunto com Lula

GENEBRA, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2010 | 00h00

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que aceita, "em princípio", o plano do Brasil de permitir uma troca no exterior de urânio iraniano de baixo enriquecimento por combustível nuclear. Teerã, no entanto, descarta a hipótese de a operação ser feita em território brasileiro, que já havia sido afastada também pelo Palácio do Planalto.

O anúncio foi feito pelo site oficial de Ahmadinejad, que não detalhou o plano. O governo iraniano indicou que os detalhes seriam revelados "num futuro próximo", mas disse que a proposta brasileira tinha "aspectos interessantes".

O Itamaraty defende a troca ou o enriquecimento de urânio, provavelmente na Turquia. Se o Irã aceitar, seria superada parte do impasse sobre seu programa nuclear. O enriquecimento no exterior seria uma garantia de que a tecnologia não será usada para a fabricação de uma bomba.

Os comentários de Ahmadinejad foram feitos durante conversa com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, na terça-feira. O iraniano teria dito que quer continuar o debate durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, no dia 15.

Os iranianos dizem que a viagem, criticada na Europa e nos EUA, estabeleceria aspectos técnicos da proposta. "Durante a conversa (com Chávez), Ahmadinejad anunciou que aceita a proposta de Lula e pediu para continuar, em Teerã, a conversa sobre aspectos técnicos", afirmou a agência iraniana Fars.

O diretor do escritório do presidente do Irã, Esfandiar Mashai, confirmou que o país aceitou a mediação de Brasil e Turquia. A expectativa é a de que o projeto seja anunciado durante a visita de Lula a Teerã, no dia 15. / J.C.

A POSIÇÃO DO BRASIL

País rejeita mediação, mas oferece ajuda

Após reunião na ONU esta semana, o chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou que o Brasil não quer ser mediador entre os EUA e o Irã. De acordo com o diplomata, o real propósito do País é defender o desarmamento nuclear mundial. O governo brasileiro não apenas se opõe à adoção de sanções internacionais contra o programa nuclear iraniano no Conselho de Segurança da ONU como enviou a Teerã, em abril, uma missão econômica para ampliar as linhas de crédito entre os dois países.

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