AFP PHOTO
AFP PHOTO

Iraque anuncia vitória contra extremistas do Estado Islâmico

Em pronunciamento, premiê Haider Abadi diz que forças do país controlam totalmente a fronteira sírio-iraquiana, o que significa o fim da guerra contra o grupo jihadista; EUA celebram anúncio, mas ressaltam que guerra contra o terrorismo continua

O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2017 | 18h21

BAGDÁ - O primeiro-ministro iraquiano, Haider Abadi, anunciou neste sábado, 9, a vitória contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI), que chegou a ameaçar a existência do país após conquistar um terço de seu território em 2014.

Estado Islâmico perde seu último reduto urbano no Iraque

A derrota militar do EI no Iraque, possível graças ao apoio crucial da coalizão internacional dirigida pelos Estados Unidos, marca uma reviravolta na luta iniciada há três anos.

Alvo de múltiplas ofensivas há mais de um ano, o EI também perdeu a maior parte do território conquistado na vizinha Síria - territórios de ambos os países faziam parte do "califado" autoproclamado pelo grupo em 2014.

"Nossas forças controlam completamente a fronteira sírio-iraquiana e, portanto, anuncio o fim da guerra contra o Daesh (acrônimo árabe do EI)", declarou Abadi em Bagdá durante a abertura de uma conferência organizada pelo sindicato de jornalistas iraquianos.

"Nosso inimigo (...) queria matar a nossa civilização, mas ganhamos graças a nossa unidade e determinação. Os derrotamos em pouco tempo", acrescentou.

Tropas de Assad tomam último reduto do Estado Islâmico na Síria

Os Estados Unidos, através do porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, saudou o fim da "vil ocupação" do território iraquiano pelo EI. 

"O anúncio do Iraque indica que (...) a população que vive nestas áreas foi libertada do brutal controle do EI", afirma comunicado da diplomacia americana, que ressalta que a vitória "não significa que a guerra contra o terrorismo no país, incluindo o EI, tenha terminado".

Em 2014, o EI se apoderou de grandes faixas territoriais no país em uma ofensiva relâmpago, controlando quase a totalidade das regiões sunitas do oeste, centro e norte.

Após tomar o controle de um território equivalente em superfície à Itália, a meio caminho entre Síria e Iraque, o EI proclamou um califado com duas capitais, Mossul no Iraque e Raqqa na Síria. 

'Boa notícia'

Na ocasião, o Exército iraquiano, desamparado, se retirou devido ao avanço dos extremistas. Diante do perigo iminente, o aiatolá Ali Sistani, principal figura espiritual da comunidade xiita, fez um chamado à mobilização geral.

Esta convocação desencadeou na criação da forças paramilitares Hash Shaabi, que contam com dezenas de milhares de efetivos e ajudaram as forças do governo em suas ofensivas contra o EI.

Número de mortes por terrorismo cai no mundo pelo segundo ano consecutivo

De volta ao combate, as forças de segurança iraquianas, apoiadas pela coalizão internacional liderada pelos EUA, progressivamente lançaram a contraofensiva para em 2016 reconquistar Falluja e Ramadi no oeste, mas sobretudo Mossul, no norte, em julho.

A última batalha aconteceu recentemente no deserto, perto da fronteira síria. "Anuncio a vocês uma boa notícia: a libertação pelas forças iraquianas de toda a fronteira sírio-iraquiana" no noroeste do país, proclamou Abadi.

O chefe do Comando Conjunto de Operações (JOC, na sigla em inglês), general Abdel Amir Yarallah, declarou que durante a última "operação de limpeza, o Exército iraquiano e o Hashd Shaabi conseguiram libertar (o deserto) do Jazira entre as províncias de Nínive e Anbar com o apoio da aviação iraquiana".

As forças iraquianas "controlam agora toda a fronteira com a Síria entre o ponto de passagem de Al-Walid e o de Rabia", locais separados por 435 quilômetros de distância.

Segundo especialistas, no entanto, o EI mantém a capacidade de agir e ainda pode derramar sangue, voltando à clandestinidade e executando ataques suicidas.

Além disso, para erradicar o grupo por completo, o Exército iraquiano anunciou sua intenção de limpar, em uma data não divulgada, Wadi Hauran, o vale mais longo do Iraque, situado na província ocidental de Anbar, que se estende da fronteira saudita até o Rio Eufrates, e se prolonga até os limites sírio-jordanianos. O EI continua presente nesta zona, onde tem esconderijos e guarda armas. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.