Em novos episódios de violência, dois palestinos são mortos em Jerusalém

Em novos episódios de violência, dois palestinos são mortos em Jerusalém

Israel estabelece bloqueios e reforça segurança para conter ataques; em reunião do gabinete de segurança, premiê permitiu a revogação de direitos de residência de palestinos acusados de terrorismo e ordenou um aumento de policiais na região

O Estado de S. Paulo

14 Outubro 2015 | 11h20

JERUSALÉM - (Atualizada às 15h14) Israel começou a estabelecer bloqueios de ruas em vizinhanças palestinas de Jerusalém Oriental e a enviar soldados para cidades ao redor do país, nesta quarta-feira, 14, para tentar combater o pior surto de violência no país em meses.

Entre as decisões, está a de autorizar a polícia a "impor um fechamento em centros de atrito e incitação em Jerusalém, de acordo com as considerações de segurança".

Em dois novos episódios de violência hoje, forças israelenses atiraram e mataram um adolescente palestino que, segundo a porta-voz da polícia, os atacou com uma faca no Portão de Damasco, na Cidade Velha. Várias testemunhas palestinas disseram ter visto o adolescente, que usava fardas em estilo militar, discutiu com seu pai e correu em direção ao portão, mas não atacou ninguém. 

Em outro caso, uma mulher de cerca de 50 anos foi esfaqueada por um homem em uma estação central de ônibus de Jerusalém. De acordo com o jornal Jerusalem Post, a polícia atirou e matou o homem na estação. 

Durante um encontro do gabinete de segurança na noite de terça-feira, o premiê Binyamin Netanyahu também permitiu a revogação de direitos de residência de palestinos acusados de "terrorismo" e uma nova etapa de demolições de casas de pessoas que realizaram ataques. O governo decidiu que, "além de demolir as casas dos terroristas", não permitirá que construam nada no local, como uma forma de tentar impedir possíveis ataques.

Além disso, a propriedade dos agressores será confiscada e serão revogadas suas permissões de residência, o que afeta fundamentalmente os moradores do território ocupado de Jerusalém Oriental, que não têm nacionalidade israelense.

Netanyahu e seu Executivo ordenaram também um aumento do efetivo policial, ao destinar 80 milhões de shekels (R$ 79 milhões) para recrutar 300 guardas adicionais para fazer a segurança no transporte público em Jerusalém, após dois ataques contra ônibus nesta semana, e autorizou o exército a reforçar o policiamento em cidades e estradas.

"O exército receberá instruções para destacar unidades em áreas sensíveis ao longo do muro de segurança de forma imediata", diz a nota do governo, que também ordenou que se acelere a construção do muro ao longo das colinas ao sul de Hebron, no território palestino ocupado da Cisjordânia.

Na tarde de hoje, o Gabinete de Segurança, se reunirá novamente para avaliar a situação e estudar medidas para reduzir a violência.

Em duas semanas de violência por esfaqueamentos, tiros e atentados com carros, 7 israelenses e 30 palestinos, incluindo crianças e agressores, morreram.

As causas do tumulto são diversas, mas palestinos estão irritados com o que veem como um aumento da usurpação judaica da mesquita de Al-Aqsa, na Cidade Velha de Jerusalém, área sagrada para muçulmanos e judeus.

Segundo a imprensa local, cerca de 80% dos ataques com arma branca registrados desde o início do mês foram cometidos por moradores da parte oriental de Jerusalém.

Mortos. O governo de Israel decidiu hoje que, a partir de agora, não entregará às famílias os corpos de agressores palestinos mortos por disparos das forças de segurança, para que os enterros não se transformem em manifestações de incitação à violência.

"A família do terrorista transforma seu funeral em uma manifestação de apoio ao terrorismo e incitação ao assassinato; não podemos tolerar isso", afirmou o ministro de Segurança Interna, Gilad Erdan, em comunicado divulgado hoje.

"Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que o terrorista não receba homenagens e cerimônias após ter cometido um atentado", comentou sobre alguns dos funerais palestinos, nos quais o agressor é considerado um "shahid" (mártir) e é homenageado.

De acordo com essa decisão, aprovada ontem à noite pelo gabinete de segurança do governo de Netanyahu, os agressores serão enterrados em Israel pelas autoridades. Para isso, se estuda a reutilização de velhos cemitérios militares que existem há anos para casos similares. /REUTERS e EFE

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