Israel mata dois palestinos em ataque a carro

Helicópteros israelenses lançaram neste sábado foguetes contra o carro de um oficial da inteligência palestina na Cisjordânia, Abdel-Karim Oweis, matando duas pessoas e ferindo 17. Funcionários palestinos qualificaram a ação como uma tentativa deliberada de matar Oweis, que ficou levemente ferido. Moutasem Sabaa, de 26 anos, membro do braço armado da Fatah, movimento do líder palestino Yasser Arafat, foi morto no ataque, assim como Allam Jaloudi, um policial palestino que estava perto do veículo. O primeiro foguete errou o alvo e três membros da milícia da Fatah, a Tanzim, conseguiram escapar do carro sem ferimentos. Sabaa, que tinha um problema na perna, não conseguiu sair do carro antes que o veículo fosse atingido pelos outros cinco foguetes disparados por quatro helicópteros artilhados, disseram testemunhas. O primeiro projétil caiu na rua perto do carro, abrindo uma cratera. Um segundo foguete atingiu uma casa nas imediações. Segundo fontes hospitalares, a maioria dos 17 feridos era composta por estudantes que estavam retornando da escola. Vingança - "Isto é terrorismo patrocinado pelo Estado", acusou Nabil Shaath, ministro palestino de Planejamento. "Todos deveriam condenar esses atos." Israel nega que tenha adotado uma política de assassinatos. Entretanto, suas forças já mataram mais de 30 palestinos suspeitos de lançar ataques contra civis e soldados israelenses desde o início da nova intifada (levante palestino), em 28 setembro de 2000. A Brigada de Mártires Al-Aqsa, um grupo filiado à Fatah, distribuiu panfletos em Jenin prometendo vingar a morte de Sabaa. A imprensa israelense informou que Sabaa e Oweis eram responsáveis por vários ataques contra israelenses e por colocar bombas na Cisjordânia. Informou também que eles planejavam executar atentados à bomba contra assentamentos judaicos. Ainda hoje, o Exército israelense acusou os palestinos de dispararem cinco granadas de morteiro contra duas colônias judaicas na Faixa de Gaza, ferindo uma pessoa. Na Cidade de Gaza, centenas de palestinos participaram hoje do funeral de Hussam Tahfish, de 16 anos, morto por israelenses durante tiroteio no entroncamento de Karni, entre a Faixa de Gaza e Israel. Em meio à onda de violência que paralisou o processo de paz, funcionários palestinos planejam reunir-se com colegas norte-americanos em Washington para discutir o fim da violência, revelou um alto funcionário palestino sob condição de anonimato. Segundo o funcionário, o vice de Arafat, Mahmoud Abbas, conhecido como Abu Mazen, já chegou a Washington e espera que os norte-americanos apresentem "novas idéias" para tentar salvar o processo de paz. Ao contrário do governo anterior, a administração Bush reluta em desempenhar um papel ativo na negociação da paz para o Oriente Médio. Desde o início da nova onda de violência na região, 440 pessoas foram assassinadas no lado palestino e 77 perderam a vida no lado israelense.

Agencia Estado,

12 Maio 2001 | 14h51

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.