Assine o Estadão
assine

Internacional

Israel

Israel retira nomeação de ex-líder colono como embaixador no Brasil

Em comunicado, primeiro-ministro Binyamin Netanyahu anunciou que Dani Dayan foi indicado para ser cônsul-geral em Nova York; governo brasileiro havia relutado em aceitar nomeação

0

O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 11h45

JERUSALÉM - Israel anunciou nesta segunda-feira, 28, a indicação de Dani Dayan, nome escolhido inicialmente para embaixador no Brasil, a uma posição nos Estados Unidos, recuando de uma disputa com Brasília sobre as conexões do indicado com assentamentos judeus na Cisjordânia ocupada.

"(O primeiro-ministro Binyamin) Netanyahu decidiu nomear Dani Dayan cônsul-geral em Nova York. Ele substituirá o funcionário do Ministério das Relações Exteriores Ido Aharoni, que está terminando seu mandato", informou o governo israelense em um breve comunicado oficial.

O governo brasileiro, que reconhece desde 2010 o Estado Palestino, havia relutado em aceitar a nomeação em agosto de Dayan, antigo dirigente do Conselho de Assentamentos Judaicos em Judeia e Samaria (designação bíblica para o território ocupado da Cisjordânia). O embaixador israelense anterior deixou o posto em Brasília em dezembro.

O governo de Israel anunciou publicamente o nome de Dayan como novo embaixador de seu país no Brasil antes de submetê-lo ao governo brasileiro, como diz a norma diplomática, gerando a reação de um grupo de 40 diplomatas brasileiros já aposentados, que divulgou um manifesto rejeitando supostas pressões de Israel para que o Brasil aceitasse a indicação de Netanyahu.

Netanyahu, inicialmente prometeu manter-se firme sobre a nomeação de Dayan, mesmo se isso significasse uma piora das relações com o Brasil, já que uma rejeição prejudicaria os assentamentos, que a maioria das potências mundiais considera ilegal. Israel tem um papel considerável em fornecer tecnologia de aviação para a indústria aérea e de defesa brasileira.

No comunicado divulgado nesta segunda, o premiê diz que Dayan agora ocupará um posto que foca nas relações israelenses com judeus e setores empresariais nos EUA. "Não acho que cedemos. Não havia escolha", afirmou Dayan à rádio do Exército israelense, questionado sobre a nova indicação. "Aqueles que não queriam que fôssemos a Brasília acabaram nos conduzindo a Nova York, a capital do mundo."

Dayan previamente argumentava que se o Brasil fosse bem-sucedido em excluí-lo, poderia abrir o precedente de impedir que líderes de assentamentos representassem Israel no exterior. / REUTERS e EFE

Comentários