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Israel revela carta com pedido de indulto feito por nazista Eichmann

- Atualizado: 28 Janeiro 2016 | 11h 11

O criminoso de guerra nazista em um manuscrito o indulto do presidente israelense Yitzhak Ben-Zvi dois dias antes de morrer executado na forca em 1962

JERUSALÉM - O criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann solicitou em um manuscrito o indulto do presidente israelense Yitzhak Ben-Zvi dois dias antes de morrer executado na forca em 1962, revelou um documento inédito apresentado nesta quarta-feira, 27, em Israel.

A carta manuscrita original, junto com outros documentos e notas pessoais do segundo chefe do Estado israelense Ben-Zvi, foram apresentados em um evento realizado na sede da presidência de Israel, liderado pelo presidente Reuven Rivlin, no Dia Internacional em Lembrança do Holocausto.

A carta na qual Adolf Eichmann pediu indulto antes de ser executado em 1962

A carta na qual Adolf Eichmann pediu indulto antes de ser executado em 1962

A solicitação de indulto de Eichmann foi feita após ele ter sido condenado em 15 acusações, entre eles crimes contra o povo judeu, contra a humanidade e de guerra.

Adolf Eichmann, político alemão membro do partido nazista austríaco e tenente-coronel das SS, foi sequestrado por agentes do serviço secreto exterior israelense, a Mossad, na Argentina em 1960 e levado a Israel.

Após a realização de um julgamento que terminou com a condenação à pena capital, Eichmann foi enforcado na noite entre 31 de maio e 1 de junho de 1962.

O oficial nazista foi considerado responsável direto pelo plano da "solução final", principalmente na Polônia, e pelo transporte aos campos de concentração alemães durante a 2ª Guerra.

Na solicitação de indulto, Eichmann afirmou: "Os juízes cometeram um erro crítico ao avaliar minha personalidade, porque não podem se colocar no momento e na situação em que eu estive durante os anos da guerra".

Fotografia de 11 de abril de 1961 mostra o criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann durante julgamento, em Jerusalém 

Fotografia de 11 de abril de 1961 mostra o criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann durante julgamento, em Jerusalém 

Ao apelar ao segundo presidente israelense, ele escreveu que "não é certo que fosse tal figura importante que pudesse supervisionar ou acompanhar de forma independente a perseguição de judeus", e argumentou que o tribunal ignorou suas alegações de que "nunca serviu em uma posição elevada que implicasse em tal autoridade decisiva e independente".

"Nunca dei ordens em meu nome, mas sempre atuei segundo as ordens. No caso de ter sido, como assumem os juízes, uma força fanática motora da perseguição aos judeus, isto teria se refletido em minha promoção ou outros reconhecimentos, mas nunca me concederam nenhum benefício", se defendeu o criminoso nazista.

O documento ainda disse que "deve ser traçada uma linha entre os líderes que são os responsáveis por pessoas como eu, que nos vimos obrigadas a ser ferramentas, e a liderança. Não estive a cargo das coisas e por isso não me considero culpado. E solicito, honorável presidente, que faça uso de sua autoridade para me indultar e ordene que a sentença de morte não seja levada a cabo".

Entre os documentos expostos também há uma carta da mulher de Eichmann, Vera, que solicitou o perdão presidencial "como mulher e mãe de quatro crianças", e de seu advogado, Robert Servatius, que destacou no processo que seu cliente "não era uma figura relevante da hierarquia nazista, mas se viu empurrado pelos eventos políticos".

Ben-Zvi negou o pedido e, em carta concisa, respondeu: "Após estudar a solicitação de indulto sobre o caso de Adolf Eichmann, e após ter analisado todos os materiais à minha disposição, cheguei à conclusão de que não há justificativa para outorgar o perdão a Eichmann ou diminuir a punição" ditada pelos tribunais israelenses.

"Portanto, informo que decidi rejeitar a solicitação e não fazer uso da minha autoridade para perdoar ou reduzir o castigo neste caso", concluiu o então presidente israelense. / EFE

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