Itália está do lado dos EUA, diz Berlusconi

Os italianos foram informados do ataque ao Afeganistão por edições extraordinárias em todos os canais de tevê com as imagens dos bombardeios transmitidos pela tevê árabe Al-Jazeera. Segundo fontes oficiais vaticanas, o papa João Paulo II acompanhou com apreensão o início da resposta anglo-americana ao terrorismo. Mas não houve nenhuma declaração oficial do papa que, muito preocupado, seguiu os fatos pela televisão até tarde. As luzes da Secretaria de Estado vaticana também ficaram acesas noite adentro. O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi - ao contrário dos outros chefes de estado europeus -, não foi avisado diretamente pelo presidente George W. Bush, mas por seu vice Dick Chenney, uma hora depois que a ação militar tinha começado. "Estamos do lado dos Estados Unidos e de todos os que estão se empenhando na luta contra o terrorismo", declarou o premier que confirmou o "apoio incondicional" aos Estados Unidos nessa fase da luta ao terrorismo. "Essa iniciativa é apoiada por uma vasta aliança de Estados e povos que acreditam no valor supremo da liberdade contra a barbárie terrorista", disse Berlusconi afirmando que a Itália está pronta a "participar de operações militares". O premier, que se encontrava em Milão para votar no referendo que levou hoje os italianos às urnas para decidir se aplicará ou não a lei que determina uma forma de federalismo, retornou imediatamente à capital e reuniu-se durante a noite com os mais estreitos colaboradores para acompanhar os acontecimentos e tomar as decisões necessárias para garantir a segurança em território nacional. A primeira providência foi instituir a unidade de crise e o comitê para a segurança e a ordem pública, coordenados pelos Ministérios da Defesa e do Interior. Foi colocado em prática o plano de segurança Bravo - primeiro dos três níveis de alarme em vista do perigo de atentados que podem ser realizados como resposta ao bombardeio ao Afeganistão em vários países. Foram reforçados os controles em torno dos chamados "objetivos sensíveis" nas grandes cidades italianas. Foram reforçados os trabalhos nas bases militares da Otan e dos Estados Unidos, aeroportos, estações, fronteiras, embaixadas, lojas, companhias aéreas e empresas multinacionais norte-americanas e inglesas. Considerado um dos possíveis objetivos de terroristas, a cidade do Vaticano está sob forte esquema de segurança assim como Nápoles, onde está a sede do comando da Otan para o sul da Europa. A atenção da polícia italiana concentra-se também em torno da casa do ex-rei do Afeganistão, Zahir Shah - exilado em Roma há 28 anos. Shah deverá ter papel importante na fase pós-Taleban e na mudança de regime em seu país. Por meio do seu porta-voz, o ex-rei, de 86 anos, disse estar muito triste com os acontecimentos. Em algumas cidades italianas grupos pacifistas manifestaram-se contra o ataque norte-americano. Em Roma, numa manifestação diante da sede da ONU, o secretário do partido de Refundação Comunista Fausto Bertinotti disse que a resposta americana é uma "gravíssima ameaça para a humanidade" e alerta que "todos, em todas as partes do mundo, estão em perigo".

Agencia Estado,

07 Outubro 2001 | 16h16

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