Itália prepara protestos contra decisão brasileira sobre Battisti

Deputados se reunirão em frente a embaixada do País em Roma e em outros locais

Agência Estado

03 Janeiro 2011 | 17h02

ROMA - Populares e políticos italianos prepararam para a terça-feira, 4, protestos contra a decisão do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de não extraditar o italiano Cesare Battisti - condenado no país europeu por quatro homicídios. Os protestos ocorrerão em frente à embaixada do Brasil em Roma, na Piazza Navona, e na frente do consulado do Brasil em Milão, no Corso Europa.

 

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Ao protesto em Roma comparecerão deputados do Partido Democrático (PD), de esquerda, herdeiro dos antigos partidos comunista e socialista da Itália. Esses deputados elogiaram o governo Lula, mas afirmam que a decisão do ex-mandatário foi equivocada.

 

Já o ministro da Defesa da Itália, Ignazio La Russa, do governo de centro-direita do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, disse nesta segunda que a decisão do ex-presidente brasileiro foi uma "punhalada nas costas". "Aqui existe o fato que Battisti é um comunista e que Lula é outro. Antes de ir embora, Lula quis dar um presente aos radicais chiques franceses e à ultraesquerda brasileira", disse La Russa. "Foi um golpe na nuca, uma punhalada nas costas".

 

Na tarde da terça, um grupo de deputados do PD, formado pelos parlamentares Roberto Morassut, Enrico Gasbarra, Paolo Gentiloni, Jean Leonard Touadì e Andrea Sarubbi, liderarão um protesto contra a não extradição de Battisti. O protesto ocorrerá na Piazza Navona, em frente à Embaixada do Brasil na Itália.

 

"A iniciativa, para nós, é um fardo, porque é grande a simpatia que temos pela nova experiência de governo brasileira, nascida com Lula e que prossegue agora com Dilma Rousseff. Mas também é grande e intransigente o nosso pedido pela extradição de Battisti. É um ato de respeito ao nosso país, às vítimas, aos familiares das vítimas e também à nossa democracia", disseram os parlamentares em comunicado. Segundo eles, a iniciativa é autônoma do grupo de parlamentares da esquerda e não do PD.

 

Premiê

 

Em Milão, Berlusconi terá uma reunião com Alberto Torreggiani, filho de Pierluigi Torreggiani, o joalheiro assassinado na década de 1970 pelo grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), de Battisti. "O encontro do primeiro-ministro com Alberto mostra o quanto o governo está empenhado nesta batalha, que não julga de fato perdida. O poder executivo usará todos os meios para levar Cesare Battisti à prisão na Itália, para que ele cumpra a sua pena", disse Daniela Santaché, subsecretária do Movimento pela Itália.

 

Após a reunião entre Berlusconi e Torreggiani, manifestantes programaram um protesto em frente ao consulado brasileiro no Corso Europa, no centro de Milão. As informações são da Agência Ansa.

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