Jânio em Cuba, visita e polêmica

Jânio em Cuba, visita e polêmica

Alvo de críticas no Brasil, candidato a presidente é recebido com festa em Havana por Fidel

Rose Saconi / DO ARQUIVO, O Estado de S.Paulo

30 Março 2010 | 00h00

Há 50 anos

Candidato de oposição à Presidência do Brasil, Jânio Quadros desembarcou em Cuba em 29 de março de 1960 para uma visita de sete dias. Jânio - e sua comitiva de 43 pessoas, que viajou num avião Super Constellation - foi recebido no aeroporto de Havana pelo então primeiro-ministro, Fidel Castro, com honras de chefe de Estado.

Ao desembarcar na capital cubana, Jânio afirmou a Fidel que levava a Cuba a compreensão e a cordialidade do povo brasileiro. Segundo relato do enviado especial do Estado a Cuba, "o líder revolucionário mostrava-se visivelmente satisfeito com a visita e demonstrava desejo de fortalecer sua posição no plano internacional".

Jânio foi a Cuba como convidado do "Movimento 26 de Julho", para conhecer a revolução. Em Havana, além de Fidel, que classificou como "tímido, mas perfeito líder que exerce fascínio sobre o povo", o brasileiro teve encontros com o comandante Ernesto Guevara, presidente do Banco Nacional, e Raúl Castro, irmão de Fidel e ministro das Forças Armadas.

Críticas. Na época, a visita foi alvo de críticas de grupos conservadores brasileiros, de adversários e até de alguns correligionários contrários a sua decisão de aceitar o convite do governo de Fidel.Eles temiam uma "contaminação comunista" de sua candidatura. "Recebi um convite do primeiro-ministro Fidel Castro com alta distinção. Na minha qualidade de candidato à Presidência da República, entendo ser meu dever acompanhar os fenômenos políticos mundiais com a atenção que reclamam, sobretudo por ser em nosso continente", disse o candidato.

Em entrevista ao Estado, o senador Afonso Arinos também defendeu a decisão do ex-governador paulista de aceitar o convite do governo de Fidel Castro. "O sr. Jânio Quadros decidiu, ele mesmo, a visita a Cuba e nós nos limitamos a aceitar a sua decisão como parte de um plano de política interna, na qual ele é o principal interessado e responsável", declarou.

O senador confessou ainda que fora acusado de ter visto na viagem uma possibilidade de fazer contatos para promover a integração de Cuba no convívio continental e, especialmente, de sua reaproximação com os Estados Unidos.

Faixas. Em São Paulo, antes da viagem, Jânio Quadros teve apoio de eleitores nas ruas . Nos comícios, ergueram-se faixas com as inscrições "Cuba precisou de Fidel. O Brasil precisa de Jânio" e "Jânio e Fidel: dois grandes nacionalistas".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.