THOMAS COEX/AFP
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Jerusalém Oriental é capital palestina, declaram países islâmicos

Cúpula de países muçulmanos apoia Abbas, que pretende levar questão para a ONU e diz não aceitar mais EUA como mediador

O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 21h33

Representantes de 48 países de maioria muçulmana decidiram nesta quarta-feira, dia 13, reconhecer Jerusalém Oriental como capital da Palestina, em uma reunião da Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), em Istambul, na Turquia. “Convidamos os países a reconhecer o estado da Palestina e Jerusalém Oriental como sua capital ocupada”, dizia o texto final da reunião da cúpula.

Abbas diz que EUA não têm mais papel no processo de paz

 O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, fez um duro discurso na reunião de quarta-feira, dia 13. Ele falou que pretende levar a decisão sobre o status de Jerusalém Oriental e do Estado palestino para o Conselho de Segurança da ONU, e rechaçou a viabilidade de um processo de paz mediado pelos Estados Unidos.

“Nós não aceitamos mais qualquer papel dos Estados Unidos no processo de paz a partir de agora, porque eles são completamente tendenciosos e favoráveis a Israel”, disse Abbas. “Jerusalém é e será para sempre a capital do Estado palestino.” 

No comunicado final do encontro, os líderes muçulmanos repetiram as palavras de Abbas. “Rejeitamos e condenamos firmemente a decisão irresponsável, ilegal e unilateral do presidente de Estados Unidos de reconhecer Jerusalém como a suposta capital de Israel. Consideramos esta decisão nula e sem valor”, afirmaram os líderes. 

Líderes de países muçulmanos preparam resposta para crise em Jerusalém

Além de desafiar a posição dos EUA, o anúncio é uma forma de pressionar americanos e israelenses, que criticaram a OCI. Apesar do tom duro, a decisão muda pouco ou quase nada o status de Jerusalém. Apesar da aparente unidade, os sinais de divisão entre os muçulmanos ficou evidente. 

Enquanto países como Irã, Jordânia e Líbano enviaram seus principais líderes, Arábia Saudita e Egito mandaram representantes de menor escalão, um reflexo das tensões entre sauditas e iranianos na região.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, disse que “a única razão pela qual Trump tinha ousado reconhecer Jerusalém como a capital de Israel era porque alguns na região procuravam estabelecer laços com o regime sionista”, em uma clara alusão à aproximação recente entre sauditas e israelenses.

Os comentários de Rohani e a participação de países ligados aos iranianos no encontro levantaram dúvidas sobre a viabilidade das intenções do OCI e evidenciaram o risco de a questão sobre Jerusalém virar mais um polo de confronto entre Riad e Teerã. 

O rei Salman, da Arábia Saudita, no entanto, apoiou os palestinos. “O reino pediu uma solução política para resolver as crises regionais, principalmente a questão palestina e a restauração dos direitos legítimos do povo palestino, incluindo o direito de estabelecer seu estado independente com Jerusalém Oriental como capital”. 

A força das condenações pode deixar mais tenso o cenário para a visita do vice-presidente dos EUA, Mike Pence, ao Oriente Médio, na semana que vem. Pence iria se encontrar com líderes políticos e religiosos. Abbas já disse que não vai recebê-lo. O papa da igreja ortodoxa copta, Tawadros II, também não, e pediu que outros fizessem o mesmo. Na sexta-feira, o imã de Al-Azhar, uma das principais instituições do Islã sunita, e Ahmed al-Tayeb, maior figura clerical muçulmana no Egito, também se recusaram a receber Pence.

Tensão. NEsta quarta-feira, dia 13, as forças de segurança de Israel prenderam 32 palestinos na Cisjordânia, incluindo um dos líderes do Hamas, Hassan Youssef, por suspeita de envolvimento em atividades terroristas em protestos. De acordo com o jornal Haaretz, eles foram detidos em uma operação conjunta do Exército e da polícia. 

Os protestos violentos e os confrontos entre palestinos e as forças de segurança israelenses se intensificaram na quarta-feira, dia 13. Ao menos 36 palestinos ficaram feridos na Cisjordânia, segundo o Ministério da Saúde. O Exército de Israel realizou um ataque aéreo com drone no norte da Faixa de Gaza, deixando dois mortos. A medida foi em retaliação ao lançamento de foguetes contra a cidade israelense de Ashkelon, na terça-feira. / W.POST, AFP e REUTERS

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