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Jogos da Copa atraem eleitores colombianos mais que votação

Denise Chrispim Marin - Enviada Especial / Bogotá

11 Junho 2014 | 23h 46

Sem cartazes nem militantes nas ruas, a Colômbia vive sua mais desestimulante eleição presidencial. A apatia foi manifestada na alta abstenção (60%) no primeiro turno, no dia 25. Analistas creem que a abstenção será maior no domingo, pois os eleitores têm mais interesse em outra questão: a Copa do Mundo no Brasil, a primeira em que a seleção colombiana participa desde 1998.

O jogo de estreia da Colômbia, contra a Grécia, será realizado no sábado. Se a seleção ganhar, a festa deverá durar vários dias e romper a lei seca, prevista para começar às 18 horas de sábado, acredita o secretário-geral do Partido Conservador Colombiano, Juan Carlos Wills. O eleitor colombiano não é obrigado a votar e no domingo ocorrerão quatro partidas do Mundial . “Está prevista uma abstenção muito maior. Nós, na Colômbia, somos apaixonados por futebol”, disse Wills.

A cientista política Patrícia Muñoz, da Universidade Javeriana, concorda com a tendência. Mas prevê abstenção maior entre os eleitores do presidente Juan Manuel Santos, em sua maioria jovens ou militantes da esquerda. “Os eleitores conservadores tendem a ser mais disciplinados”, disse Patrícia.

A alta abstenção prevista para esta eleição mudará o jogo dos dois partidos em disputa - o Centro Democrático, de Óscar Iván Zuluaga, e o Partido Social de Unidade Nacional, de Santos. Ambos terão de mobilizar voluntários para buscar os eleitores de carro ou ônibus e levá-los para os centros de votação - prática considerada legal na Colômbia - especialmente antes das 11 horas, quando começa a transmissão do primeiro jogo do domingo.