Robert Pratta/Reuters
Robert Pratta/Reuters

Jornada de 35 horas acirra eleição francesa

Candidatos da direita divergem de centrista em temas como imigração, segurança e emprego

Andrei Netto / CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 Março 2017 | 21h45

A 34 dias das eleições, os cinco principais candidatos ao Palácio do Eliseu participaram ontem do primeiro grande debate na França. Com discussões sobre temas sociais, como segurança, terrorismo e imigração, e de economia, como a jornada de trabalho semanal de 35 horas, o evento ocorreu no momento em que pesquisas mostram empate técnico na liderança entre a candidata nacionalista Marine Le Pen, da Frente Nacional, e o social-liberal Emmanuel Macron, do En Marche!.

Sem seis dos 11 candidatos à eleição de abril, a discussão começou com uma crítica de François Fillon (partido Republicanos) à emissora TF1, que estabeleceu as regras do programa e excluiu os “nanicos”. O debate reforçou as divergências entre Marine e Fillon, de um lado, e de Emmanuel Macron, Benoit Hamon (Partido Socialista) e Jean-Luc Mélenchon (França Insubmissa) em torno de imigração, segurança e desemprego.

Fillon e Macron travaram um duelo em particular sobre a reforma da previdência e a semana de 35 horas. Essa jornada de trabalho foi definido em lei em 2000 à época do governo do primeiro-ministro Lionel Jospin, do PS, e desde então é tema recorrente de debate. A reforma foi implementada parcialmente e não vale para todos os setores da economia, o que faz com que os franceses tenham na prática uma carga horária média em torno de 39 horas. 

Fillon propõe que o funcionalismo volte a trabalhar 39 horas com salário de 35 horas. Ele defende a extinção pura e simples de uma legislação que estabeleça o tempo de trabalho para o setor privado. “Nós temos uma situação inaceitável em termos de desemprego que já dura 25 anos”, criticou Fillon. 

Já Macron argumentou em favor da modulação do tempo de trabalho de acordo com as necessidades de cada setor produtivo. “Eu não defendo a extinção das 35 horas. As situações são diferentes de acordo com cada setor e cada empresa”, respondeu o social-liberal, que defendeu acordos setoriais.

Marine também atacou Macron, seu principal rival ainda no primeiro turno, segundo as pesquisas. Já Mélenchon concentrou seus ataques na nacionalista e no conservador, lembrando que ambos enfrentam investigações do Ministério Público por financiamento ilegal de campanha e corrupção, respectivamente. “Só dois dentre nós estão envolvidos em casos de Justiça. Não nos coloque no mesmo saco”, disse.

 

Marine prometeu criar 40 mil novas vagas em prisões e suspender a progressão de pena para criminosos, além de fechar as fronteiras e limitar a entrada de imigrantes a um máximo de 10 mil por ano. O instituto Elabe apontou Macron como vencedor da discussão, com 29% de opiniões favoráveis.

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