AFP PHOTO / GABRIEL BOUYS
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Justiça francesa pede levantamento da imunidade parlamentar de Marine Le Pen

A candidata negou as convocações judiciais, mas garantiu que se apresentará após as eleições presidenciais e legislativas

O Estado de S.Paulo

14 Abril 2017 | 04h57

PARIS - A justiça francesa, que conduz investigação sobre os empregos fictícios da Frente Nacional (FN), pediu ao Parlamento Europeu levantar a imunidade parlamentar de Marine Le Pen. Tal imunidade tem permitido à candidata de extrema direita negar aos chamados dos magistrados durante a campanha eleitoral à presidência da França, nas quais, faltando menos de dez dias para a votação, ela aparece como favorita.

Os juízes investigam se Le Pen e outros deputados europeus de seu partido pagaram com dinheiro do Parlamento Europeu assistentes que, na verdade, trabalham para a FN. Também foi pedido levantar a imunidade da parlamentar da FN Marie-Christine Boutonnet pelo mesmo motivo. A solicitação foi feita pelos juízes no final do mês passado, pouco menos de um mês para a primeira rodada das eleições presidenciais que serão realizadas no próximo dia 23.

Le Pen se recusou a atender aos chamados policiais e judiciais, mas garantiu que fará isso após as datas das eleições presidenciais, que terminam em 7 de maio, e legislativas, que serão realizadas em 11 e 18 de junho. Assim, ela pretende que o caso não interfira nas campanhas.

A justiça francesa abriu uma investigação por esses empregos fictícios em março de 2015, depois de ter sido impedida pelo parlamento, que já tinha imposto sanções a Le Pen pelo caso. Ela foi chamada para depor no final de fevereiro e no final de março foi convocada pelos juízes para determinar se seria imputada. Nas duas ocasiões, a candidata se protegeu por sua imunidade parlamentar. A assistente parlamentar dela, Catherine Griset, e da deputada Coutonnet, Charles Hourcade, tiverem que atender aos chamados e foram imputados. 

Outro caso. Não é a primeira vez que a justiça pede para levantar a imunidade parlamentar de Le Pen. Em 2 de março, o Parlamento Europeu agiu assim na investigação aberta por ela ter colocado em sua rede social fotos de execuções levadas a cabo pelo grupo terrorista Estado Islâmico. A partir da FN, eles consideraram que essa nova petição dos juízes em plena campanha eleitoral constitui "uma manobra político-judicial que desonra seus autores."

O advogado de Le Pen, Marcel Ceccaldi, garantiu que vai lutar contra o pedido do Parlamento Europeu, mas que a resposta "não chegará antes de dois ou três meses". "Os juízes conhecem esses prazos. Quando a resposta do Parlamento Europeu chegar, as eleições já terão passado, e Marine Le Pen já havia dito que não tinha nenhum problema em depor", disse ele. Ceccaldi considerou que esse processo é "uma farsa" que "gera desconfiança da justiça francesa" e "contamina a imagem internacional da França". /EFE

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