Amel Emric/AP
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Justiça sérvia abre primeiro julgamento sobre Srebrenica

A Sérvia se nega a considerar Srebrenica um ato de genocídio, ao contrário do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia, em Haia, que condenou a 40 anos de prisão Radovan Karadzic, líder político dos servo-bósnios durante o conflito

O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2016 | 16h18

BELGRADO - A Sérvia começou a julgar nesta segunda-feira, 12, 'Nedjo, o açougueiro' e outros sete ex-policiais no primeiro julgamento em um tribunal de Belgrado contra supostos autores do massacre de Srebrenica, ocorrido em 1995 na Bósnia.

Os oito bósnios obtiveram a nacionalidade sérvia antes do fim da guerra (1992-1995) que deixou 100 mil mortos e 2,2 milhões de deslocados, o equivalente à metade da população da Bósnia antes do conflito.

Os acusados, que compareceram em liberdade, podem ser condenados a até 20 anos de prisão por "crimes de guerra contra a população civil". No início do julgamento, juízes recusaram um pedido da defesa. 

A Sérvia se nega a considerar Srebrenica como um ato de genocídio, ao contrário do Tribunal Penal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII), em Haia, que condenou a 40 anos de prisão Radovan Karadzic, líder político dos servo-bósnios durante o conflito.

Em julho de 1995, nos últimos meses de guerra, as forças sérvias da Bósnia dirigidas pelo general Ratko Mladic mataram 8 mil homens e adolescentes bósnios em apenas alguns dias. Trata-se do maior massacre em solo europeu desde a 2ª Guerra.

As vítimas foram afastadas das mulheres e das crianças enquanto a população tentava fugir do enclave de Srebrenica, invadido pelas forças sérvias diante da passividade dos capacetes azuis holandeses que deveriam protegê-lo.

Mladic, de 74 anos, foi detido em 2011 após dez anos de fuga, e está à espera de que o TPII emita uma sentença contra ele em 2017. A acusação pediu uma condenação à prisão perpétua.

Os oito acusados, detidos em março de 2015, formavam parte de uma unidade policial especial, a "Jahorina", nome de uma estação de esqui próxima de Sarajevo. Uma dezena de seus membros já foram julgados na Bósnia.

Eles são acusados de ter ordenado ou participado da execução em apenas um dia de centenas de muçulmanos bósnios, capturados em uma floresta e executados em um armazém em Kravica, perto de Srebrenica.

Os membros da "Jahorina" abriram fogo com armas automáticas e lançaram granadas no interior do armazém, segundo a investigação. Os restos das vítimas foram encontrados em oito fossas comuns.

Entre os homens julgados em Belgrado está o comandante da brigada, Nedeljko Milidragovic, conhecido como 'Nedjo, o açougueiro', de 58 anos. Segundo a ata de acusação, ele ordenou aos seus homens que "ninguém deveria sair vivo" do armazém.

Milidragovic era açougueiro antes da guerra, segundo os meios de comunicação sérvios e, após o fim do conflito, se instalou na Sérvia. / AFP 

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