Ahmad Masood/ Reuters
Ahmad Masood/ Reuters

Karzai convoca 'irmãos Taleban' e promete governo de união

Presidente afegão reeleito promete liderar um governo 'limpo' e 'remover estigma' da corrupção no país

estadao.com.br,

03 Novembro 2009 | 07h41

O presidente reeleito do Afeganistão, Hamid Karzai, prometeu nesta terça-feira, 3, formar um governo de integração nacional com representantes de todo o país, inclusive o Taleban, e "remover o estigma" da corrupção. Karzai fez as declarações em sua primeira aparição pública desde que sua vitória foi confirmada. O anúncio encerrou dois meses e meio de um tenso processo eleitoral, marcado por fraudes generalizadas em meio a ataques insurgentes para minar a votação.

 

Veja também:

especialEspecial: 30 anos de violência e caos no Afeganistão

 

O candidato opositor, o ex-ministro de Relações Exteriores Abdullah Abdullah, desistiu da disputa alegando não haver condições para uma votação limpa. Em uma entrevista coletiva em Cabul, Karzai disse que teria sido melhor se seu rival não tivesse desistido de participar do segundo turno da eleição, marcado para 7 de novembro.

 

"Meu futuro governo será um governo de união nacional. Qualquer pessoa que queira vir para unir-se a ele será bem-vinda", disse o presidente. Em sua oferta, Karzai incluiu tanto a Abdullah como aos insurgentes, que tinham pedido o boicote do pleito e ameaçado empreender uma onda de violência como a que protagonizaram não primeiro turno que aconteceu dia 20 de agosto. "Fazemos um chamado para nossos irmãos Taleban para que voltem ao país e abracem sua terra", afirmou o presidente reeleito.

 

Após o apelo, o Taleban qualificou Karzai como um "presidente marionete" e afirmaram que a decisão de anular o segundo turno foi tomada pelas potências ocidentais. "A anulação do segundo turno da eleição demonstrou que as decisões do Afeganistão são elaboradas em Washington e Londres antes de serem anunciadas em Cabul", afirmou o grupo em nota divulgada na internet em nome do "Emirado Islâmico do Afeganistão".

 

Na expectativa do fim da eleição para decidir sobre o envio de um reforço militar ao país, o governo americano apressou-se em qualificar Karzai como um líder legítimo. O presidente Barack Obama telefonou logo depois para Karzai e, ao cumprimentá-lo, pediu que fizesse "muito mais" para combater a corrupção no país. Grã-Bretanha e ONU também parabenizaram o presidente reeleito.

 

A anulação provocou um alívio nos organizadores da votação, que lutavam para realizar a eleição em meio aos atentados e ao início do severo inverno afegão. Autoridades também temiam que ocorresse um banho de sangue no sábado, pois o Taleban havia ameaçado atacar quem tentasse votar.

 

Fraudes

 

Segundo a BBC, o primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah.Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

 

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai. Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

Mais conteúdo sobre:
Afeganistão EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.