Ahmad Masood/ Reuters
Ahmad Masood/ Reuters

Karzai promete governo 'limpo' em novo mandato

Presidente reeleito diz querer 'remover estigma' da corrupção; Obama quer 'novo capítulo' no país

BBC Brasil, BBC

03 Novembro 2009 | 06h12

O presidente afegão, Hamid Karzai, prometeu liderar um governo "limpo", um dias depois de ter conquistado um novo mandato de cinco anos. Em suas primeiras declarações desde que foi declarado vencedor das eleições de agosto, um pleito marcado por acusações de fraude, ele disse que quer "remover o estigma" da corrupção.

 

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Karzai também prometeu formar um governo que inclua todos os que querem trabalhar com ele, sejam eles simpatizantes ou membros da oposição. Em uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 3, em Cabul, Karzai disse que teria sido melhor se seu rival, o ex-ministro do Exterior, Abdullah Abdullah, não tivesse desistido de participar do segundo turno da eleição, marcado para 7 de novembro.

Na segunda-feira, a Comissão Eleitoral Independente cancelou o segundo turno da eleição por razões de segurança e para evitar retrocessos que pudessem prejudicar o Afeganistão tanto politicamente quanto economicamente. O cancelamento foi anunciado um dia depois de Abdullah Abdullah ter desistido da disputa sob a alegação de que não havia "condições mínimas" para evitar fraudes no segundo turno.

Em uma coletiva de imprensa na capital afegã, um porta-voz da comissão, Azizullah Ludin, declarou Karzai, o candidato que recebeu mais votos no primeiro turno, vencedor do pleito. Após o anúncio, o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, afirmou que os Estados Unidos reconheceram Karzai como o "líder legítimo do país".

Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, felicitou Karzai pela reeleição e pediu ao líder afegão para "escrever um novo capítulo" no governo do país. Em uma conversa telefônica, Obama pediu ainda para que Karzai intensifique os esforços contra a corrupção.

 

Para o presidente americano, o pleito foi "bagunçado", mas o resultado está "de acordo com a lei afegã". Obama disse ainda que "Karzai garantiu que entende a importância desse momento para o país". Mas, segundo o presidente americano, "a prova não será em palavras, mas em ações".

A reeleição de Karzai também foi bem recebida por outros líderes. O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, felicitou o presidente e disse que os dois "discutiram a importância de o presidente agir rapidamente para estabelecer um programa de unificação para o futuro do Afeganistão".

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, visitou Cabul e disse que a eleição afegã havia sido uma das "mais difíceis que as Nações Unidas já haviam apoiado". Um dos objetivos do segundo turno era dar mais legitimidade ao pleito. Segundo a correspondente da BBC em Cabul, Lyse Doucet, alguns observadores questionam a legitimidade de Karzai e colocam em dúvida suas condições de cumprir o novo mandato.

Fraudes

O primeiro turno das eleições afegãs, em 20 de agosto, foram marcados por acusações de fraude. Cerca de 1,3 milhão de votos foram anulados, reduzindo o percentual de votação de Karzai - ainda assim à frente do de Abdullah. Diante da pressão internacional, Karzai aceitou a realização de um segundo turno.

O candidato da oposição estava condicionando sua participação no segundo turno à renúncia do diretor da Comissão Eleitoral Independente, Azizullah Lodin, que foi rejeitada por Karzai. Como "condições mínimas" para permanecer na disputa, Abdullah também havia pedido o fechamento de diversos postos de votação, a fim de fazer melhor uso dos monitores eleitorais. Em vez disso, as autoridades anunciaram que abririam mais locais de votação.

 

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