Anja Niedringhaus/ AP
Anja Niedringhaus/ AP

Karzai ressalta compromisso com segurança em 2º mandato

Sinalizando retirada dos EUA, líder afegão diz que seu Exército controlará todo o país nos próximos cinco anos

estadao.com.br,

19 Novembro 2009 | 07h56

Manchado por uma eleição fraudulenta e um governo corrupto, o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, tomou posse para um segundo mandato nesta quinta-feira, 19, prometendo combater a corrupção e fortalecer o Exército para os militares assumam o controle total da segurança do país nos próximos cinco anos. "Vamos diminuir o papel das forças internacionais", afirmou Karzai durante a cerimônia em Cabul. "Queremos que a segurança do país esteja toda nas mãos do governo afegão e liderado pelos afegãos".

 

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Sua posse acontece em um momento crítico - oito anos depois da guerra no Afeganistão, os EUA estão perto de anunciar uma nova estratégia para o conflito. Isso eleva as dúvidas sobre os que a população afegã e os oficiais americanos podem esperar dos próximos cincos anos do governo Karzai. Em seu discurso, o presidente reeleito afirmou que a corrupção é uma "questão muito perigosa" e prometeu "medidas duras e eficazes" para combatê-la.

 

Segundo Karzai, a corrupção é um "inimigo perigoso do Estado". "O governo do Afeganistão está comprometido em acabar com a cultura da impunidade e da violação da lei, e em levar à Justiça os envolvidos na expansão da corrupção e no abuso da propriedade pública", disse. Ele ainda prometeu que seu governo será formado por ministros "que possuam integridade e sejam profissionais servindo à nação".

 

Karzai antecipou que levará à aprovação uma lei que obrigue os funcionários governamentais a identificar suas fontes de renda e declarar suas propriedades, e que convocará em breve uma conferência em Cabul para explorar "medidas novas e eficazes" contra a corrupção. "Consideramos nosso dever combater esta dificuldade", disse.

 

Karzai expressou sua convicção de que "o problema do terrorismo internacional" em seu país será resolvido e assegurou que seu governo se esforça em aplicar reformas de vários aspectos. "Estamos fazendo nosso melhor esforço para instrumentar reformas sociais, judiciárias e administrativas em nosso país", afirmou. "Ser presidente é uma tarefa dura e trataremos de fazer o nosso maior esforço para cumpri honestamente esta tarefa no futuro". "Prometo aprender com os meus erros".

 

A cerimônia foi o encerramento de um processo eleitoral caótico que começou em 20 de agosto, quando os afegãos foram às urnas. Karzai foi declarado vencedor apenas no início deste mês, depois que o seu rival, o ex-chanceler opositor Abdullah Abdullah, retirou-se do segundo turno depois que a comissão apoiada pela ONU encontrou evidências claras de fraude no pleito.

 

Terrorismo e segurança

 

Em seu primeiro discurso após assumir o cargo para um segundo mandato, Karzai reiterou também sua oferta de reconciliação aos taleban moderados e de colaboração com seus opositores nas eleições à Presidência. "Estamos decididos que, nos próximos cinco anos, as forças afegãs serão capazes de assumir a liderança em garantir a segurança e a estabilidade em todo o país", disse o presidente.

 

O presidente reiterou sua oferta de reconciliação a todos os "compatriotas que querem voltar para casa, viver em paz e aceitar a Constituição", em referência aos taleban que não estão "diretamente relacionados ao terrorismo internacional". "Utilizaremos todos os recursos nacionais e internacionais para colocar fim à guerra", disse.

 

Karzai afirmou que, nos próximos três anos, pretende que seu Exército leve a iniciativa nas operações militares "nas muitas áreas inseguras do país", como já faz em Cabul. "Nossas próprias forças de segurança deveriam ser capazes de assumir o controle da segurança em outras províncias também e, assim, o papel das tropas internacionais diminuirá gradualmente e se limitará a apoiar e treinar as forças afegãs", disse.

 

O presidente reiterou sua oferta de reconciliação a todos os "compatriotas que querem voltar para casa, viver em paz e aceitar a Constituição", em referência aos taleban que não estão "diretamente relacionados ao terrorismo internacional". "Utilizaremos todos os recursos nacionais e internacionais para colocar fim à guerra", disse.

 

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e os ministros de Exteriores do Reino Unido, David Miliband, e da França, Bernard Kouchner, acompanharam o juramento e discurso de Karzai, com a presença também do presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, e de outros representantes internacionais.

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