REUTERS/Guadalupe Pardo
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Keiko Fujimori deve enfrentar economista em segundo turno de eleição peruana

Levantamento oficial, com base em 40,3% dos votos, mostrava a filha do ex-ditador Alberto Fujimori com 39,1% e o ex-ministro de Economia e de Energia com 24,2%

Rodrigo Cavalheiro, ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S. Paulo

11 Abril 2016 | 07h57

LIMA - A candidata Keiko Fujimori deve disputar a presidência do Peru em um segundo turno contra o economista Pedro Pablo Kuczynski no dia 5 de junho. Levantamento oficial divulgado na tarde desta segunda-feira, 11, com base em 82,6% dos votos, mostrava a filha do ex-ditador Alberto Fujimori com 39,55%. O ex-ministro de Economia e de Energia tinha 22,1%. A líder de esquerda Verónika Mendoza obtinha 18,2%. O resultado mantém na disputa dois rivais de viés conservador em temas morais. Em política econômica, o fujimorismo historicamente se caracterizou pela presença do Estado em ações populistas. Kuczynski está mais ligado à direita liberal e defende uma participação estatal menor. Votaram 22,9 milhões de peruanos.

Segundo uma contagem paralela mais ampla, feita pelo Instituto Ipsos sobre todas as atas de votação, Keiko, de 40 anos, obtinha 39,6% dos votos válidos. Kuczynski, de 77 anos, aparecia com 21,5%, obtidos principalmente nas maiores cidades. Ele foi ministro da Economia de Alejandro Toledo (2001-2006) e de Energia de Fernando Belaúnde (1980-1985). Seu programa econômico é liberal, mas ele deve reforçar compromissos sociais na nova etapa da campanha para se aproximar do eleitorado de Verónika. A psicóloga de 35 anos tinha, segundo a apuração, 18,7% – sua base eleitoral é Cuzco e o sul do país. Se a proporção se mantiver, o fujimorismo conseguirá cerca de 60 das 130 cadeiras no Congresso, que é unicameral. Um nome forte para assumir a presidência da casa é Kenji Fujimori, o parlamentar mais votado do partido Força Popular.

“Esperamos que seja um segundo turno com propostas. Assumimos a responsabilidade que a população já nos havia dado como oposição em 2011”, disse Keiko em seu primeiro pronunciamento. Gritos de “Keiko presidente” foram ouvidos na frente do hotel que serviu de base para a candidata conservadora, do partido Força Popular. 

As mesmas mensagens de incentivo apareceram na tumultuada votação da favorita, no bairro de La Molina, mas não eram uníssonas. Ao decidir esperar na fila sua vez de votar, Keiko ouviu clamores como “devolvam a grana roubada” e “corrupta”. Imprensada contra um muro por dezenas de repórteres que tentavam gravar uma declaração, foi protegida por integrantes da tropa de choque e seguranças privados em um semicírculo. Um cinegrafista foi agredido com uma cotovelada na boca por um policial, que foi retirado em um camburão. 

A decisão de esperar como qualquer eleitor, mesmo que tivesse 50 metros de fila a sua frente, é compatível com a tática de campanha de Keiko. Nos últimos cinco anos, desde que foi derrotada por Ollanta Humala, ela percorreu o país em voos comerciais, nos quais se dispunha a tirar selfies. As filas na votação foram tão frequente que a rádio Programas del Perú registrou não só a tradicional venda do lugar para quem não estava disposto a esperar. Crianças eram “alugadas” a quem quisesse entrar na fila de atendimento prioritário. 

A tensão causada pela exposição de Keiko levou apoiadores e detratores a se empurrarem e trocarem acusações. “Fujimori foi o melhor presidente que já tivemos”, dizia uma mulher a um canal estrangeiro. Ela foi interrompida por um estudante que se identificou como Jari. “Ela não pode sair dizendo que um governo ditatorial fez coisas boas. Eles têm de devolver todo o dinheiro que roubaram do país”, afirmou. 

Alberto Fujimori, de 77 anos, foi preso há 11 anos e condenado por crimes contra os direitos humanos. Ele responde a processos por corrupção. Keiko, aos 16 anos, atuou como primeira-dama no governo, que durou de 1990 a 2000. Ele enfrenta um câncer e sua libertação, caso Keiko chegue a presidência, foi um tema reiterado de campanha. Ela prometeu que não beneficiará parentes, caso seja eleita.

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