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Kerry exige a saída de Assad do governo para acordo de paz na Síria

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

22 Janeiro 2014 | 08h 04

Discurso de secretário de Estado deixa claro que o mundo está 'dividido' em relação à guerra

MONTREUX - Os Estados Unidos abriram a conferência de paz sobre a Síria nesta quarta-eira, 22,  exigindo a saída de Bashar Assad do poder. Nesta manhã, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, alertou que não há como pensar em uma transição política na Síria que inclua a presença de Assad num eventual novo governo. Enquanto as esperanças são de que o evento possa ser o início de uma solução para a guerra que já fez 130 mil mortos, o secretário-geral da ONU, Ban Ki Moon, alerta que o mundo está "dividido".

Os primeiros discursos deixaram essa divisão evidente. "Não vamos nos equivocar: não há como pensar que aquele que cometeu crimes possa voltar a ter legitimidade para liderar a Síria", alertou Kerry. "Assad precisa sair", insistiu. "Não é a tortura que dá a legitimidade para alguém governar", alertou.

A posição foi contestada por Sergey Lavrov, o chanceler russo. "A solução precisa ser encontrada pelos sírios, sem a intromissão internacional", alertou. Moscou, um aliado de Assad, deixou claro que não aceitaria que governos estrangeiros possam determinar quem formaria o governo de transição.

Durante os primeiros minutos da conferência, as consequências de três anos de guerra ficaram claras. De um lado, ogoverno sírio acusou países adversários de "tentarem impor democracia pelas bombas", de agirem de forma "estúpida" e como "bárbaros". "Somos nós que representamos o povo", declarou o chanceler sírio Walid Muallem.

O governo de Assad usou sua intervenção para atacar americanos, europeus, sauditas e mesmo a oposição. "Vocês são uma vergonha", disparou.

Brasil. O chanceler sírio ainda elogiou os países dos Brics por serem "amigos sinceros" da Síria e não "terem apoiado a agenda de outros países". "Agradeço os Brics e os países latino-americanos, que ficaram ao nosso lado", disse.

A abertura da conferência ainda viu um bate-boca entre o chanceler e Ban Ki Moon, que tentou cortar seu discurso depois de 20 minutos. O sírio se recusou a parar de falar. "O senhor vive em Nova York", atacou o chanceler.

A conferência não tem prazo para acabar. Mas essa é a primeira vez em três anos que o governo e a oposição se encontram em uma mesma sala.

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