Carlo Allegri/Pool Photo via AP
Carlo Allegri/Pool Photo via AP

Kerry se reúne com Netanyahu e mostra otimismo sobre crise de israelenses e palestinos

Secretário de Estado dos EUA e premiê israelense conversaram nesta quinta, em Berlim; Kerry deve se reunir sábado, na Jordânia, com o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas

O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2015 | 13h14

BERLIM - O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, se encontrou nesta quinta-feira, 22, em Berlim com o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e pediu que o líder israelense use palavras mais moderadas ao comentar a recente onda de violência entre árabes e israelenses. Autoridades americanas e europeias acreditam que a forma como Netanyahu se refere ao episódios é um dos motivadores da violência.

A mensagem de Kerry para Netanyahu, que nessa semana alegou que um clérigo muçulmano teria inspirado o Holocausto - suposição desmentida pelo governo alemão -, será repetida nos próximos dias quando o secretário de Estado se encontrar o presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas.

Depois do encontrou com o premiê israelense, Kerry disse que a conversa lhe deu "uma medida cautelosa de otimismo". Ele disse também que o encontrou aumentou sua esperança de que possa haver uma forma de "acalmar a situação e começar a encontrar uma forma de avançar".

"Se as partes quiserem tentar, e eu acredito que elas querem seguir em direção e uma diminuição da agressividade, há uma série de escolhas que estão disponíveis", disse Kerry em entrevista coletiva ao lado do ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier.

Kerry também afirmou que conversou por telefone com o rei Abdullah II, da Jordânia, e com Abbas nas últimas 24 horas e planeja viajar sábado para Amã, na Jordânia, onde se encontrará com os dois.

Antes de se reunir com Kerry, porém, Netanyahu voltou a fazer acusações contra os palestinos em razão da onda de violência. O primeiro-ministro pediu que outros países pressionem Abbas para acabar com as "mentiras" que seriam ditas sobre a forma como Israel gerencia a Esplanada das Mesquitas, lugar sagrado para judeus e árabes. Netanyahu também acusou o líder palestino de fazer discursos que causariam mais violência.

A forma como o líder israelense se referiu ao tema pareceu mais leve do que a usada por ele sobre o assunto recentemente - apesar de seus comentários continuarem longe de serem conciliadores.

"Não há dúvidas de que essa onde de ataques foi influenciada diretamente pela incitação, do Hamas, do movimento islamista em Israel e, sinto em dizer, do presidente Abbas e da Atoridade Palestina", disse Netanyahu, colocando os judeus como vítimas da situação, que tentam apenas se defender. "Acredito que seja a hora de a comunidade internacional dizer claramente ao presidente Abbas: 'Pare de divulgar mentiras sobre o Estado de Israel'."

Ainda não palavras do premiê, "para acabar com o terrorismo precisamos acabar com a incitação". Netanyahu está em Berlim para consultas periódicas entre os governos de Israel e Alemanha, uma relação que a chanceler alemã, Angela Merkel, trabalhou duro para manter. Depois de se encontrar com o líder israelense na quarta-feira, Merkel disse que o reiterado apoio a Israel está entre os princípios básicos da política externa alemã. / NYT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.