EFE/Mario Ruiz
EFE/Mario Ruiz

Lagos desiste de disputar novo mandato como presidente do Chile

O ex-chefe de Estado tomou a decisão depois de o Partido Socialista dar seu apoio ao senador Alejandro Guillier

O Estado de S. Paulo

10 Abril 2017 | 19h44

SANTIAGO - O ex-presidente do Chile Ricardo Lagos (2000-2006), de centro-esquerda, desistiu nesta segunda-feira, 10, de disputar as eleições presidenciais de novembro depois que o governista Partido Socialista decidiu, no fim de semana, que apoiará a candidatura do senador independente Alejandro Guillier.

Lagos, de 79 anos, militante socialista que tinha sido lançado como pré-candidato do Partido pela Democracia, desistiu de seguir em frente na disputa eleitoral em meio a um baixo apoio nas pesquisas eleitorais e pequena adesão entre os partidos de esquerda da coalizão governista. 

“Decidi renunciar à aspiração de alcançar novamente a presidência. O faço com serenidade de ter atuado seguindo minha consciência, não perseguindo interesses particulares”, disse Lagos a jornalistas.

O ex-presidente admitiu que em seu espaço político não obteve uma “convergência” em torno de seu projeto para disputar um segundo mandato. O Partido Socialista decidiu no domingo apoiar a candidatura independente do senador Guillier, um jornalista que é membro da coalizão governista Nova Maioria e se comprometeu em avançar com as reformas da atual presidente, a socialista Michelle Bachelet, no país que é o maior produtor de cobre no mundo.

Lagos assegurou que abandona a disputa à presidência com a satisfação de ter contribuído a uma proposta programática que representa uma renovação do ideário dos progressistas do Chile. “Os chilenos me conhecem; não sou um caudilho, sei escutar a voz do povo e submeter-me a seu veredicto. Estou na política para servir ao país, não para acumular honras”, concluiu. A presidente Bachelet lamentou a decisão de Lagos, mas pediu que ela seja “acatada” e “respeitada”.

Em 1.º de abril, o ex-secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) José Miguel Insulza também desistiu de se candidatar pelo Partido Socialista (PS) do Chile às eleições presidenciais. 

Insulza deixou claro que se o partido não realizasse a consulta popular, que estava programada para o próximo dia 23, para designar o candidato presidencial, ele não estaria disposto a participar de um processo diferente.

Para tentar a candidatura, Insulza tinha renunciado, em novembro, como agente chileno na Corte Internacional de Justiça de Haia, para a demanda marítima da Bolívia contra o Chile, uma decisão muito criticada por setores tanto da oposição como do governo. No entanto, as pesquisas situavam Insulza muito atrás de Guillier e também do ex-presidente Lagos. / EFE e REUTERS

 

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