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Lei da maconha no Uruguai atrai laboratórios

Eloisa Capurro - Especial para O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2014 | 02h 02

Empresas pretendem aproveitar abertura legal ao uso recreativo e medicinal da droga para ampliar testes sobre efeitos e exportá-la

MONTEVIDÉU - A venda de maconha pelo Estado ainda não começou no Uruguai, mas pesquisadores e laboratórios de Canadá, EUA, Espanha e Holanda estudam a legislação aprovada em dezembro para investir em estudos científicos sobre a droga. Além de fazer pesquisa no país, algumas empresas estudam exportar a erva.

A lei 19.172, que habilita o consumo e a produção estatal da droga, também prevê sua investigação científica, assim como o uso para fins medicinais. O texto limita a 40 gramas por mês a compra de maconha para uso não medicinal. A venda da droga será em farmácias, para maiores de 18 anos, uruguaios ou residentes no país inscritos num registro de consumidores. Para o uso medicinal, deverá ser apresentada uma receita.

A lei promulgada pelo presidente José Mujica (Frente Ampla, de esquerda) ainda tem que ser regulamentada. O Instituto de Regulação e Controle de Cannabis (IRCCA) se ocupará dos cultivos.

A organização Regulação Responsável - que reúne grupos a favor da lei - diz ter sido consultada por pesquisadores da Califórnia, da Espanha e da Holanda. Estudiosos uruguaios da Faculdade de Ciências e da Faculdade de Medicina da Universidade da República têm mostrado interesse em participar dos grupos de investigação da maconha. "Há uma área muito grande para investigar e temos uma possibilidade de desenvolvimento, na criação de medicamentos com base na droga", disse ao Estado Martín Collazo, membro do Regulação Responsável.

"A lei permitirá estudos clínicos. No restante do mundo há muitas travas legais contra estudos clínicos. Estamos pensando numa rede de laboratórios que colaborem com a transmissão do conhecimento. E achamos que a lei vai provocar uma onda de mudanças na região", disse Hernán Delgado, formado em ciências biológicas, com mestrado em neurociência.

"A maconha também poderá tratar viciados em drogas mais fortes, reduzindo os danos de drogas mais viciantes. É uma coisa a estudar. (A droga) também tem efeitos paliativos nas dores provocadas pela atrite, baixa a pressão ocular em pessoas com glaucoma e serve no tratamento de HIV. A maconha é uma planta como qualquer outra, só que o componente sociocultural provocou um manto de escuridão que nos vamos a ter que desfazer", disse Delgado.

Exportação. O senador Luis Gallo, da Frente Ampla, disse ao Estado ter falado com um empresário de Colorado que tem interesse na produção medicinal da maconha uruguaia, especialmente para o uso em crianças com crises de epilepsia. O empresário pretende participar do mercado legal no Uruguai e depois exportar o produto.

Segundo o jornal El Observador, empresários do Canadá têm tido contato com políticos locais pensando na investigação científica e no uso medicinal da maconha uruguaia. O jornal também publicou que representantes de Israel e do Chile estudam a possibilidade de comprar a droga produzida pelo Uruguai. Em Israel, a investigação científica da droga é legal. Na Grã-Bretanha, se produz o medicamento Sativex, que serve para a esclerose múltipla. Neste mês, o Estado de Nova York anunciou que permitirá o uso medicinal da droga em 20 hospitais. Nos EUA, 20 Estados permitem o consumo da maconha para fins terapêuticos. Depois da aprovação do consumo com fins recreativos da droga em Colorado e Washington, um grupo promove a permissão do uso medicinal da maconha também na Flórida.

A lei uruguaia diz que o Estado se encarregará da importação e exportação da maconha e seus derivados, mas aguarda-se a regulamentação para saber como funcionará, e se vai ser permitida, a venda para outros países.

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