Andre Pain/EFE
Andre Pain/EFE

Liberdade de imprensa está em seu pior nível em 13 anos

Relatório da organização de direitos humanos Freedom House avaliou condições de trabalho dos jornalistas em 199 países em 2016

O Estado de S.Paulo

28 Abril 2017 | 03h11

WASHINGTON - A liberdade de imprensa no mundo está em seu pior nível em treze anos, ameaçada por ataques aos meios de comunicação do presidente norte-americano Donald Trump e por restrições impostas por governos autoritários e democráticos, afirmou na sexta-feira, 28, um grupo de monitoramento.           

O informe da Freedom House, organização de direitos humanos sediada nos Estados Unidos, detectou crescentes preocupações com os esforços de governos ao redor do mundo para tomar medidas contra a imprensa e o dissenso. 

"Os líderes políticos e outras forças partidárias em várias democracias - incluindo Estados Unidos, Polônia, Filipinas e África do Sul - atacaram a credibilidade e a independência dos meios de comunicação e o jornalismo baseado em fatos, rechaçando o tradicional papel de vigilância da imprensa nas sociedades livres", disse a coordenadora da pesquisa, Jennifer Dunham.

Em um estudo com 199 países em 2016, o grupo concluiu que somente 13% da população mundial tem "imprensa livre", na qual a cobertura das notícias políticas é sólida, a segurança dos jornalistas está garantida, a interferência do Estado em assuntos é mínima e a imprensa não está sujeita a pesadas pressões legais ou econômicas. 

Outro 42% da população mundial tem uma imprensa "parcialmente livre" e os 45% restantes vivem em países onde o ambiente dos meios de comunicação "não é livre", informou o grupo.

O relatório vai na mesma linha de um documento publicado esta semana pela ONG Repórteres Sem Fronteiras, sediada na França, que afirmou que a liberdade de imprensa enfrenta sérias ameaças em 72 países, baixando a colocação de Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros países no ranking. 

O estudo da Freedom House diz que os direitos humanos da imprensa estão sendo violados pelos esforços políticos em países democráticos para influenciar a cobertura noticiosa e deslegitimar os meios de comunicação. 

"Quando os políticos atacam os meios de comunicação, induzem seus colegas no exterior a fazer o mesmo", disse o presidente da Freedom House, Michael Abramowitz. / AFP

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